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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Crítica DVD - The Divide

Há filmes que nos marcam. E depois há aqueles em que, se considerarmos que a vida é curta e temos que a aproveitar ao máximo, ficamos com a ideia que gostaríamos de ter uma máquina do tempo e arranjar forma de voltarmos atrás antes de os termos visto... Este é o caso do filme "The Divide", que trago hoje...

Estreou no ano passado nos EUA, mas ainda não saiu na maior parte da Europa, como se os avaliadores de cinema tivessem visto o trailer e achassem que o filme era bom, mas após terem visto o filme em primeira mão, não tivessem coragem para sujeitar os espectadores a este fiasco. Deixem que vos diga que, se este filme tem alguma virtude, é a de já estar no meu top de piores filmes que vi!
Mas passando ao argumento: a ideia parecia boa, uma cidade (Nova Iorque) que é atacada por uma bomba nuclear e alguns residentes de um edifício conseguem se refugiar na cave, num bunker subterrâneo que os deverá manter vivos enquanto toda a gente tosta à superfície. O grupo de oito inquilinos que se salva fica numa situação difícil, pois apesar de estarem vivos, passam por situações psicológicas complexas que derivam desta enclausura forçada o que mexe com a mioleira das gentes... E é aqui que o filme se perde. Podendo aproveitar para nos transportar para um ambiente de psicose onde os seres humanos se desumanizam quando numa situação de sobrvivência complicada se tornam, muitas vezes, piores que animais, o argumento perde-se em pormenores de violência física e sexual que pouco trazem aos espectadores para além de chocar e enojar. Aliás, há momentos em que parece que o argumento pára e avança como se tivesse sido pensado aos solavancos e perde o nexo grande parte das vezes. Os actores também não ajudam (talvez exceptuando Michael Biehn e Rosanna Arquette), são banais e até meio estereotipados ao ponto de serem desinteressantes.
Deixo-vos aqui o que de melhor tem este filme: o trailer. A julgar por esta apresentação o filme parece ser algo que na realidade não é, pelo que aviso já ser uma publicidade extremamente enganosa!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Crítica DVD - Biutiful

A. G. Iñárritu
Alejandro González Iñárritu, realizador e argumentista nomeado para um Óscar, por "Babel", mas acima de tudo, um contador de histórias... Com a sua forma muito peculiar de nos conduzir na narrativa de um filme, o mexicano Iñárritu consegue agarrar um espectador à tela, não pelo elevado sentido de acção da história, nem pelo argumento complexo ou intrincado, mas sim pela qualidade insofismável e crua das suas personagens e pelo argumento pungente pleno de realismo e contemporaneidade.
Neste filme, o realizador apresenta a vida de um habitante de Barcelona, metrópole com o seu lado "underground", que esta personagem Uxbal (magnificamente interpretada por Javier Bardem), percorre e que é o seu meio de subsistência. Ele que faz de elemento de "liaison" entre a sua catalunha autóctone e os inúmeros emigrantes ilegais que se dirigem para esta (como em tantas outras grandes cidades europeias), em busca de condições de vida melhores que as que encontram nas suas pátrias: Os chineses e as suas fábricas de exploração de mão-de-obra barata e os africanos e o comércio de rua, por vezes incluíndo o tráfico de drogas.

As condições sub-humanas da existência destes trabalhadores, num olhar de uma realidade que fingimos não existir e que não quereriamos ver se não fosse tão bem retratada pela lente de Iñárritu.
Paralelo à história, Uxbal, um homem que "fala com os mortos" e, ao mesmo tempo, se encaminha ele para a morte, vítima de uma doença incurável, mas que procura utilizar as suas energias tentando garantir alguma estabilidade familiar e emocional aos seus dois filhos menores, com uma mãe que sofre de bipolarismo.
Tanta tragédia junta poderia parecer excessiva, não fosse a acção do filme "Biutiful" propositadamente lenta e progressiva, de forma a podermos visualizar o trabalho final como uma bela pintura que nos foi sendo mostrada pouco a pouco.
Mais uma vez, como em "Amores Perros", tudo termina num círculo fechado, como a própria vida e deixa a certeza que Iñárritu é um fantástico contador de histórias e um dos melhores realizadores dos últimos tempos.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Crítica DVD - La Piel Que Habito

Pedro Almodovar
Começo por dizer que não sou daqueles que elogiam o realizador Pedro Almodovar como se este fosse excepcionalmente bom. Por vezes parece-me que há pessoas que caem no goto dos críticos e depois quase que podem fazer o que quiserem que nunca mais caem em desgraça. Não que Almodovar o tenha feito, pois a sua carreira é composta de uma série de filmes interessantes, com a temática sexual a ser quase uma constante, quiçá lhe dando a necessária polémica que faz com que os tais críticos decidam que o seu trabalho é "sempre genial". Dito isto, vejo os seus filmes com o espírito sem pré-condicionalismos e não o idolatro sem que ele efectivamente faça por o merecer.
Ao saber que este filme, "La Piel Que Habito" (The Skin I Live In, em inglês) era mais um do realizador espanhol, esperei pelo final para opinar devidamente. Honestamente, não sendo brilhante, é um filme bastante bem conseguido. Não só pela presença do seu actor icónico, António Banderas (que supostamente foi lançado por Almodovar, bem como Javier Bardem ou Penélope Cruz...), que tem um papel excelente como o Dr. Robert Legard, sob quem gira a trama do filme, mas também pela sensual Elena Anaya, que se bem já tenha participado em filmes tais como "Van Helsing", parece querer aproveitar também o "Efeito Almodovar".

O argumento é surpreendente, sendo que não planeio estragar o filme a quem o vai ver, abstendo-me de o descrever muito. Posso apenas dizer que a história é original e tem uma vertente psicótica interessante que me recorda os "filmes-vingança", do coreano Chan-Wook Park ou, mais familiarmente, "Kill Bill", de Tarantino.
Trata-se de um médico (Banderas) que se especializa na criação de pele por métodos artificiais e vive obcecado com recuperar a sua vida familiar que perdeu quando a sua mulher ficou horrivelmente deformada num incêndio e a sua filha perdeu o juízo em virtude dessa tragédia. Adiciona-se a dose de sexualidade, típica dos filmes deste realizador e é basicamente isto!
Só me pareceu que perde um pouco a nível dos actores de segundo plano, mas nunca afectando muito a história que é contada por tranches, até termos o completo quadro que o realizador e também argumentista deste filme nos pinta.
Resta-me dizer que este filme ganhou há alguns dias o prémio BAFTA, do cinema britânico, na categoria "Melhor Filme Estrangeiro", o que dá ainda mais prestígio a esta película, que merece ser vista.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Crítica DVD - 50 50


Grande parte das vezes Hollywood decide fazer um grande filme e então vai buscar à gaveta a sua receita predilecta que inclui os ingredientes necessários para fazer um "bolo" de sucesso. Enormes efeitos especiais, actores de elevado cachet, uma história cheia de volte-faces, um realizador de sucesso e uns milhões de dólares para produzir e publicitar o filme. Normalmente resulta e origina enormes blockbusters que entram na história: Senhores dos Anéis, Harry Potters ou Piratas das Caraíbas.

De vez em quando, estúdios menos abonados e que apostam em filmes pelo seu argumento, lançam filmes que nos conquistam pela riqueza da sua história, desempenho dos seus actores ou simplesmente porque são notoriamente bons. Esse é o caso do filme "50-50", que protagonizado por Joseph Gordon-Levitt e com os restantes papeis distribuídos por Seth Rogen, Anna Kendrik e Anjelica Huston, terminam num "bolo", que embora pareça menos vistoso que o bolo blockbuster, é sem dúvida igualmente saboroso e uma delícia para quem o souber saborear. Tendo vencido já alguns prémios pelo magnífico argumento de Will Reiser, o filme conta-nos uma história simples e mundana de um jovem a quem é diagnosticada uma estranha forma de cancro que lhe dará 50% de hipóteses de sobrevivência. A forma como se reage a uma notícia destas, o papel que têm aqueles que nos rodeiam e a envolvência que uma doença destas traz à vida de uma pessoa é algo que só quem passou por essa terrível experiência nos poderia transmitir, mas graças ao incrível argumento e à performance de Gordon-Levitt é possível conhecer essa terrível provação sem termos de passar fisica e mentelmente por isso. Como filme e como forma de passar uma mensagem é sem dúvida um dos melhores trabalhos de 2011, nesta estranha mistura de comédia e drama que apenas custou 8 milhões de dólares e por esta altura já deve ter rendido quase 5 vezes mais só em bilheteira nos EUA. 



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Crítica DVD - Cowboys & Aliens


Quando vi o título deste filme, todos os átomos do meu corpo me enviaram a mensagem para não me dar ao trabalho de o ver. Infelizmente, a maioria das vezes a curiosidade é maior que a razão e então acabei por assistir ao DVD. Por norma, costumo confiar nos meus instintos, mas também não gosto de preconceitos injustificados e só critico aquilo que vi. Afinal há a presença de Daniel Craig, Harrison Ford, Olivia Wild e Sam Rockwell... Findo o filme, cheguei à mesma conclusão que tinha chegado antes de o ver: "Quem, no seu perfeito juízo, achou que era boa ideia juntar cowboys e aliens num só filme?"
A história é simples: um grupo de duros cowboys acaba por ter que enfrentar alguns extraterrestres-mineiros que apareceram na Terra com o intuito de levar o nosso precioso ouro. Cabe ao ex-fora da lei Jake Lonergan (Craig), com a ajuda do milionário do gado W. Dolarhyde (Ford) e da bela Ella Swenson (Wilde) enfrentarem este povo E.T. que anda a raptar os pobres colonos do Oeste e a levá-los para parte incerta. [Neste momento destaco a preciosidade dos nomes das pesonagens de Daniel Craig e Harrison Ford serem "Lonergan", que se assemelha a Loner Gun (Arma solitária) e "Dolarhyde" (Esconde dólar), numa brincadeira só ao alcance de putos de 12 anos que escrevem um argumento... :( ]
Dito isto, há o confronto entre Oeste e Espaço, com tiros, lasers e alguma flechas à mistura, pois não podiam faltar os índios!!!
Uma pobreza de filme que as participações de actores de renome não disfarçam. Se acham que os filmes "Freddy vs Jason" ou "Alien vs Predator" foram más ideias, esperem até verem este "Cowboys & Aliens", um quadro abstracto que custou 163 milhões de dólares!...

domingo, 15 de janeiro de 2012

Crítica DVD - I Love You Phillip Morris

Produzido no ano de 2009 (mas só estreado em Portugal um ano mais tarde), este filme tinha muitas das receitas para o sucesso: actores reconhecidos, uma história humorística e a polémica necessária para lançar um êxito cinematográfico. No entanto, este "Eu Amo-te Phillip Morris", falhou rotundamente nas bilheteiras dando um prejuízo na ordem dos 10 milhões de dólares (o filme custou 13 milhões e não chegou aos 3 de receitas...). A provável explicação para isso poderá ser o facto de o filme retratar uma história verídica de um "artista do conto do vigário", Steven Russel (Jim Carrey), que após ir parar à cadeia se apaixona irremediavelmente por um outro homossexual na prisão, Phillip Morris (Ewan McGregor). Se tomarmos em consideração a homofobia que afastou a maioria dos espectadores dos cinemas ao conhecerem o argumento, aliados ao facto de o filme parecer uma mistura de "Brokeback Mountain", com "Apanha-me Se Puderes", conseguimos chegar à resposta para este falhanço. No entanto, salvo algumas cenas sexualmente implícitas, o filme consegue ser visto com uma boa dose de sentido de humor e até se tornar uma película agradável. E se tivermos em conta a gloriosa representação de tanto Carrey, como McGregor, então acho que se pode dizer que é um filme que vale mesmo a pena ver. Aliás, são dos melhores papeis que já vi, com Jim Carrey, a desdobrar toda a sua versatilidade que fazem dele muito mais que um mero actor de comicidade facial expressiva, para um actor muito mais completo como já nos tinha demonstrado em filmes tais como "Homem na Lua" ou "O Despertar da Mente". Já no que se refere a Ewan McGregor, pouco haverá a acrescentar ao actor do meu filme preferido de sempre "Trainspotting", mas a sua interpretação deste gay loiro de maneiras suaves é simplesmente fantástica! Destaque igualmente para um pequeno papel de Rodrigo Santoro, que também não se porta mal.
Se tiverem espírito positivo e quiserem ver dois grandes actores em cena podem alugar este filme em DVD, mas se forem preconceituosos então é definitivamente um filme a evitar...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Crítica DVD - Año Bisiesto (Leap Year)


"Todo o inferno está contido nesta única palavra: solidão." - Victor Hugo, autor de "Les Miserables"

Laura é uma jornalista que trabalha a partir de casa e vive uma vida de intensa solidão. Absorvendo com uma certa inveja a felicidade familiar dos seus vizinhos, cuja vida segue pela janela e a fazem criar laços fictícios com eles, dividida entre a existência insípida entrecortada por relações fugazes com homens que só a usam como objecto sexual, o isolamento de Laura vai crescendo e corroendo a sua alma. Longe da família, perde-se nos braços de um homem, Arturo, que por ter tido um único gesto de carinho para ela, a conduz a um mundo de sadomasoquismo, que para Laura podem servir os seus intentos de fugir da sua vida pela via mais definitiva.
A leve sugestão de um trauma de infância na mente de uma mulher que marca os dias no calendário na vã esperança de encontrar o amor. A história pungente de viver em total solidão, que a levam a rodear-se de mentiras para dissimular o seu estado de espírito àqueles que lhe querem bem. Este é o argumento do filme mexicano "Año Bisiesto" ("Ano Bissexto" em português, "Leap Year", em inglês).

Gustavo Sánchez Parra e Monica Del Carmen
Um filme claustrofóbico, perturbador e cruel, desenrolado exclusivamente num apartamento que se baseia em grande parte na performance da actriz Monica Del Carmen e que consegue os objectivos a que o realizador Michael Rowe se propôs (vindo a vencer o prémio Golden Camera, em Cannes, com este filme).

Relembro que o cinema mexicano tem revelado grande potencial, a julgar por este trabalho e pelos filmes do galardoado realizador Alejandro González Iñárritu, que nos trouxe "Amores Perros", "21 Grams", "Biutiful" ou "Babel", por exemplo.


P.S.: Não confundir com o filme "Leap Year", comédia romântica americana, que estreou em Portugal em 2011, com a actriz Amy Adams (título em português: "Tinhas mesmo de ser tu..."). Não tem nada a haver! A sério!... Quem gostar de um destes filmes não pode gostar do outro... :)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Crítica DVD - The Tree of Life


A Terra já existe há milhões e milhões de anos. Entrementes surgiu a vida e com ela a nossa espécie, parte integrante da Natureza deste planeta. Nascemos, crescemos, morremos e o significado de estar vivo persegue-nos e desorienta-nos. O que somos nós senão um compósito do nosso ADN, das nossas experiências de vida, a nossa educação, os nossos laços afectivos...

Na América dos anos 50 (uma nostálgica referência já usada pelo realizador), uma família vive numa pequena localidade texana e rege-se afincadamente por valores morais conservadores e puritanos. Rígido na sua forma de impor estes valores, o pai (Brad Pitt) faz o possível por ajudar na educação e desenvolvimento dos seus três filhos, com a ajuda da mãe (Jessica Chastain). Mais tarde, são forçados a lidar com a perda de um dos filhos e a conviver com essa dor e a necessidade de seguir em frente enquanto o filho mais velho, Jack (Sean Penn), procura coexistir com as dúvidas sobre a fé e a existência e os resquícios do seu conturbado desenvolvimento, perda de inocência e a relação conflituosa com o pai.  Este seria o resumo simplista e limitativo do argumento de "The Tree of Life".
Mas temos que reconhecer a existência de um filme repleto de simbologia e conceptualismo que Terrence Malick argumentou e realizou, criando um dos filmes mais complexos e singulares que já vi. Com uma filmagem magnífica e uma fotografia de extrema beleza, torna-se um deleite visual, acompanhado de músicas perfeitas, mas não estou tão certo quanto ao resultado final como filme de entretenimento.
Esta película poder-se-à dizer que caminha numa ténue linha entre um filme extremamente aborrecido e a obra de arte verdadeiramente artística. Mas nesse aspecto não me atrevo a opinar, pois não sou apreciador de arte e aceito a subjectividade da mesma. Mas ainda assim inclino-me para uma mistura das duas teorias e declaro este filme "uma aborrecida obra de arte" que deve ser visualizada sob o efeito de fortes alucinógenicos para o realmente apreciar!

Posso admitir que no final, me tocou a síntese do que Malick deixa subentendido ser o significado da vida: Crescer, multiplicarmo-nos e morrer, reintegrando a Natureza da qual nunca deixamos de fazer parte. E depois ficam as memórias, as pessoas que tocamos, as coisas que fizemos, tais como o simples acto de plantar uma árvore...
Malick não se livrou no entanto de ser coberto de críticas de ser um pretencioso visionário, de fazer filmes só para si e que faz questão ninguém entenda por mais que tente (que fez muita gente abandonar cinemas durante este filme e a pedir o seu dinheiro de volta nas bilheteiras).  Seja como for, não é uma película que deixe ninguém indiferente (se conseguir ve-lo até ao fim sem adormecer): ou se ama ou se odeia, pelo que se compreende ter sido intensamente vaiado pela audiência em Cannes, mas ao mesmo tempo ter ganho a Palma D'Ouro este ano...
Agrada aos pretenciosamente eruditos críticos, mas nem por isso às audiências pagantes...
Numa nota final, destaco o papel do jovem Hunter McCraken, no difícil papel do jovem Jack, um actor que aparenta prometer bastante.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Crítica DVD - The Hangover 2

Quando em 2009 estreou um filme cuja temática era um grupo de gajos que se embebedam numa despedida de solteiro em Las Vegas e acabam por fazer tantas loucuras que nem se lembram, certamente que o mais optimista dos seres humanos poderia apenas esperar que fosse apenas uma agradável comédia que deixaria os espectadores bem dispostos e depois cairia no esquecimento como tantos outros filmes. Daí até se tornar numa comédia de referência cuja receita na primeira semana de exibição ultrapassou o custo do próprio filme e que contava com um lucro de bilheteira no final desse ano de quase 250 milhões de dólares, acho que ultrapassou qualquer expectativa. Os responsáveis foram basicamente os actores Bradley Cooper, Ed Helms e Zach Galifianakis, que nos trouxeram a maior Ressaca do cinema. Obviamente que teria que haver uma sequela e assim, este ano, The Hangover 2, levou a pandilha às ruas de Banguecoque, na Tailândia para uma monumental desbunda que faz qualquer despedida de solteiro parecer insignificante. O filme segue as pisadas do primeiro, a premissa é basicamente a mesma e as piadas também. Consegue ser bastante divertido,ainda que não seja pelo facto de estarem na capital mundial do vício e só peca por ter perdido a originalidade que o primeiro tinha. As receitas de bilheteira estão na mesma ordem e por isso os produtores devem estar satisfeitos, mas ainda que tenha apreciado o filme, pareceu-me que poderiam ter integrado novas personagens que diferenciassem este filme do primeiro e não fosse um papel-químico. Não vou descrever o filme para não estragar a quem não viu. Digo apenas que é uma boa comédia e que o ideal seria ver os dois filmes de seguida. Fica aqui o trailer desta sequela para (os poucos) que não conheçam "A Ressaca": 



domingo, 30 de outubro de 2011

Crítica DVD - Cars 2

Após em 2006 a Disney / Pixar ter estreado o filme Cars, fiquei com a séria impressão que, apesar do filme ter tido sucesso, a ideia não seria repetida, pois a película parecia mais criada para venda de merchandising baseada nas personagens de apelo claro ao mundo dos brinquedos para crianças, do que propriamente num bom filme de animação. Mas aceito o meu erro e compreendo esta sequela que estreou este ano, porque tenho que considerar que uma vez que o primeiro Cars gerou receitas 4 vezes superiores à produção do filme, é claro que iriam apostar numa continuidade! A sequela de 2011, Cars 2, trouxe assim de volta os carros falantes com expressões humanas e o magnífico da animação computorizada cada vez mais aprimorada em questões tais como sombras, iluminação, reflexos e outros pormenores que vão cada vez mais trazendo realismo a estes filmes. A história tornou-se mais interessante, pois enveredou pelo caminho da espionagem e traz as personagens numa volta ao mundo, do Japão ao Reino Unido, o que é sempre salutar sair do ambiente sempre "USA forever", que agrada aos americanos tão desconhecedores de geografia mundial. Talvez isso explique porque o filme teima em não trazer os lucros do anterior, o descontentamento dos americanos por terem que ver pouco solo pátrio, ou quem sabe seja o facto de o argumento girar muito mais à volta do secundário Mater em vez da estrela Lighting McQueen. Seja qual for o motivo, o filme ainda tem que percorrer um longo caminho para atingir os resultados financeiros do primeiro. No que me diz respeito, gostei do uso dos estereótipos de cada país e da presença do agente secreto Finn McMissile (voz de Michael Caine) , mas acho sinceramente que é altura da Disney / Pixar explorar outras ideias que acho que não devem faltar para aqueles lados. Mais vale arriscar numa novidade do que esgotar um franchise.... digo eu!...

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Crítica DVD: Food Inc.

Hoje, recuperando aqui a rubrica de críticas a filmes que já chegaram a DVD, trago-vos um documentário de 2009, que me parece bastante pertinente e que cada vez mais e mais pessoas vejam (e não me venham dizer: "Documentários? Não! São tão chatos...").
A verdade é que após as infecções que têm surgido a público, de bactérias mortais tais como o E-Coli na Alemanha e Suécia, supostamente nos pepinos, e agora há poucos dias, a Listeria nas Meloas dos EUA, o público em geral parece ignorar ou até desconhecer que estes casos são mais usuais do que parece e só chegam a notícia quando ameaçam se tornar epidémicos. Com efeito, estão constantemente a morrer pessoas pelo mundo fora devido a estas bactérias multirresistentes que se tornaram imunes aos antibióticos comuns. O que as pessoas não sabem é que usualmente isso é devido ao excesso de antibióticos que dão aos animais, para que estes cresçam rápido e grandes, de forma a dar maiores lucros à indústria alimentar e esse excesso é que anda a dar a oportunidade dessas bactérias irem ficando fora de controle até, quem sabe um dia, surgir uma que nos apague da face da Terra.
Para melhor compreenderem de que forma a indústria alimentar se tornou numa gigantesca e malévola máquina que está nas mãos de algumas mega-empresas que controlam inclusive os políticos mundiais através dos seus "lobbies", aconselho vivamente este documentário, Food Inc., que dá uma imagem do que está mal na América (e consequentemente) no mundo de hoje. Resta recordar os nosso avós que cultivavam legumes no campo, bebiam bagaço às 5:00 e viveram até aos 95 anos. Hoje em dia, a comer comida processada, de "plástico", duvido sinceramente que cheguemos à reforma...

sábado, 3 de abril de 2010

Crítica DVD: INK

Vou marcar a data de Abril de 2010, para memorizar o momento em que vi o filme que entrou para primeiro lugar no meu top de preferências (para os mais distraídos, está aí à esquerda!). Falo-vos do filme independente de baixo orçamento, de um pequeno estúdio e com actores desconhecidos, INK. Poderá ser a prova provada que o cinema é de facto a 7ª arte, pois o filme de que vos falo é, na minha opinião, equivalente a um David de Michelangelo, ou uma Mona Lisa de Da Vinci.
Vou limitar a minha crítica a alguns pormenores, pois não quero estragar o prazer de verem o filme completamente desprovidos de expectativas. A história fala-nos de 2 grupos distintos que lutam entre si para nos darem sonhos ou pesadelos durante a noite... e mais não digo!
Espero sinceramente que todos vejam este filme de 2009, que passou completamente à parte do circuito comercial. Tem uma trabalho fantástico de Jamin Winans (realizador e argumentista) e uma banda sonora perfeita...
Não vou deixar nenhum trailer, para manter o suspense, mas deixo-vos uma curta-metragem do realizador, que dá para verem a forma original dele pensar e filmar. Fiquem com "Spin" criado em 2006.


domingo, 21 de fevereiro de 2010

Crítica DVD: Eden Lake

Um filme de 2008 que passou um pouco à parte do circuito mais comercial (só estreou em Portugal em Abril de 2009), talvez por não vir de grandes estúdios dos EUA (é um filme britânico) ou não ter nenhum nome sonante no casting, Eden Lake é uma surpresa cinematográfica.
Partindo de uma ideia muito simples, com um jovem casal numa escapadela romântica de fim-de-semana para um lago escondido no meio da natureza selvagem e que origina um efeito dominó de acontecimentos semelhante a um pequeno fósforo aceso junto a um matagal ressequido, o filme é uma parábola da sociedade actual, do desleixo educacional de certos pais e de que nunca nos devemos esquecer que ainda que sejamos animais sociais, nunca deixamos de ser animais bem lá no fundo.
O filme choca pelo seu realismo e brutalidade e, acima de tudo, pela noção de que como espectadores só podemos assistir ao desenrolar de acontecimentos e imaginar que algo semelhante pode plausivamente acontecer a qualquer um de nós. É necessário avisar que não deverá ser visto por pessoas demasiado sensíveis sob pena de os atemorizar infinitamente! Não se acreditam? Depois não digam que não avisei...




domingo, 6 de dezembro de 2009

Capitalismo - Uma história de amor


Se andaram atentos nos últimos anos, certamente que o nome de Michael Moore não vos trará indiferença, partindo do princípio que, como eu, são fãs de bons documentários.
De facto, o Sr. Moore é responsável por alguns dos filmes documentários mais cáusticos e críticos de alguns dos grandes defeitos da sociedade norte-americana. Depois de ter atacado, entre outros, o uso e porte de arma, os problemas no sistema de saúde e a estranha relação das autoridades americanas com alguns indivíduos (em prol dos seus interesses petrolíferos) que mais tarde apelidam de terroristas, desta feita, Michael Moore ataca directamente o cerne da existência dos americanos e o pilar da sua sociedade: o Capitalismo.
Desde a evolução histórica do conceito capitalista, comparando o Império Norte-Americano, com o Império Romano, no seu crescimento, poder e eminente queda, até à actual situação da economia nos E.U.A., com a crise global, consequência directa da época de vacas gordas que levou a uma excessiva confiança na economia capitalista, com a mão invisível dos poderes económicos e empresariais sempre por detrás e comandando o poder político (como com Reagen, por exemplo).
Aconselho vivamente o visionamento deste documentário, por forma a se compreender porque chegamos ao ponto onde estamos e porque é que um português perdeu o seu emprego um 2009, apenas porque um Barão de Wall Street quis aumentar a sua fortuna em 2008 (não fossem os E.U.A. o motor económico do mundo).
O filme de Moore ficou surpreendentemente de fora das nomeações para os Óscares da Academia. Será que ele meteu o dedo tão fundo na ferida que feriu alguns dos "intocáveis" do mundo politico-económico? Se sim, é melhor o Michael Moore arranjar um ou dois guarda-costas, digo eu.......

domingo, 19 de abril de 2009

Crítica DVD : Body of Lies



Este filme relata a história de um agente infiltrado da CIA, no coração do mundo árabe, Roger Ferris (interpretado por Leonardo DiCaprio), e das tramas políticas e estratégicas que se desenrolam, que fazem desses agentes uns peões na busca de informações para tentar impedir o alastrar do polvo terrorista por parte dos americanos. Acima de tudo, é uma imagem dos recursos dúbios que a CIA utilizará, com torturas, mentiras, agentes duplos e uma série de artimanhas que parecem só responder aos resultados sem se importar com os meios. Uma história muito bem trabalhada pelo realizador Ridley Scott e com actores em grande, no caso, Russell Crowe e Leonardo DiCaprio. Diga-se com agrado, que após se ter libertado da imagem de menino bonito, DiCaprio tem surpreendido filme após filme com interpretações soberbas (como por exemplo, neste filme e em Diamante de Sangue), mostrando o seu verdadeiro potencial e fugindo à etiquetagem de apenas mais um menino bonito em Hollywood.
O filme em Portugal intitula-se O Corpo da Mentira.

Crítica DVD : Os Suspeitos do Costume



Hoje decidi falar-vos de um filme que já não sendo recente (é de 2005), é bom de mais para ficar esquecido. Cá em Portugal, passou um pouco ao lado do grande público, mas basta que vos diga que era um dos poucos filmes do top 250 do IMDB, com cotação superior a 8.7, que ainda não tinha visto, por isso aconselho-o vivamente. O filme "The Usual Suspects", relata a história de um grupo de criminosos inveterados que se encontra no alinhamento de uma esquadra, como suspeitos de um crime de tráfico de armas. O desenrolar da história mostra-nos que eles já se conheciam há algum tempo e que aquela selecção de pessoas não teve nada de ocasional. Um bom policial, com uma trama intensa e cheia de mistério, em que se passa o filme todo com a questão "Afinal, quem é Keyser Soze?", a personagem que todos os vilões temem e que parece ser um verdadeiro diabo entre os criminosos.
O filme conta com a excelente actuação de Gabriel Byrne, Stephen Baldwin, Kevin Pollack, Benicio Del Toro e Kevin Spacey (no papel que lançaria a sua carreira).

quinta-feira, 5 de março de 2009

Crítica DVD : Righteous Kill


O título em português "A Dupla Face da Lei", é uma daquelas coisas... Eu prefiro o original "Righteous Kill", qualquer coisa como Morte Justificada ou Morte Moralmente Aceite, mas admito que não tinha tanto impacto.
De qualquer das maneiras, pode-se resumir este filme a duas pessoas: Robert De Niro e Al Pacino. Dito isto, já sabem que o filme vale a pena!
Como poderão ver aqui no trailer (gentilmente cedido pelo Sapo, não me canso de agradecer, em virtude das barbaridades que tenho sido alvo pelo YouTube), a história resume-se a dois polícias da velha guarda, alguns homicídios de gajos mal comportados e no final, quem é que anda a dar uma de justiceiro???
Não posso responder a esta pergunta, porque vale a pena ver o filme e tentar decifrar o mistério. Só vos digo que tem os dois actores ao seu melhor nível, um argumento cativante e frases dignas de entrarem nos compêndios do cinema, muito ao estilo do Dirty Harry. A minha preferida, e que resume o filme é: "A maioria das pessoas respeita o distintivo, mas toda a gente respeita a arma". Lindo!!!

segunda-feira, 2 de março de 2009

Crítica DVD : Quem quer ser bilionário?


Começo por perguntar: Quem é que escolhe o raio dos títulos que os filmes vão ter em Portugal? Porque quem quer que seja, é um cromo! A melhor tradução para o título deste filme seria "Milionário das favelas", mas lá escolheram este título absurdo...enfim...
O filme de Danny Boyle, vencedor dos óscares deste ano, Slumdog Millionaire, merecidamente, diga-se de passagem, é uma verdadeira surpresa. Já era conhecida a afinidade dos últimos anos que tem vindo a unir Bollywood a Hollywood, mas pegar em actores indianos, desconhecidos do grande público e vencer os prémios de cinema mais importantes, é algo que só parece estar ao alcance de um realizador com uma visão alargada do mundo do cinema, que não se limita ao marasmo que é a Hollywood dos E.U.A..
Com efeito, Danny Boyle, que já tinha estado por detrás de um verdadeiro hino ao cinema, que foi "Trainspotting" (até hoje, ainda o meu filme preferido), consegue um filme simples, belo e sem artefactos, que conquista pela sua história e moral, já para não falar na cinematografia e escolha das músicas.
Para além disso, o filme chegou a ser criticado pelas autoridades indianas porque mostra um país de miséria, paralelo ao circuito turístico, onde a pobreza, corrupção e desrespeito pelos direitos humanos são o pão nosso de cada dia. Fez-me lembrar alguns filmes sobre o Brasil, que mostram essa imagem que as autoridades tanto se esforçam por negar e ignorar.
No final, prevalece a ideia utópica de um pobre e inculto morador das favelas que consegue algo de surpreendente e, com isso, dá esperança e motiva todos aqueles a quem foi negada uma oportunidade de singrar na vida. Infelizmente, há sempre aqueles que acham que é impossível a sabedoria estar dissociada da riqueza e recusam-se a acreditar que a experiência de vida de alguns, por vezes vale mais que uma carteira cheia de dinheiro.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Crítica DVD : Hellboy 2


Tenho um amigo que costuma dizer que nunca se vai casar porque quer passar muitos anos a beber cerveja, andar à porrada e a urinar sem ter que baixar a tampa da sanita. E é por causa disso tudo que o filme Hellboy nunca devia ter tido uma sequela.
Já imaginaram o "Dirty Harry" a lavar a loiça? Ou a limpar o pó em casa? Claro que não! Há gajos que são durões e é essa a imagem que queremos deles. No caso do Hellboy 2, conseguiram a proeza de pegar numa personagem com cornos (ainda que serrados) e que dispara um verdadeiro canhão de um revólver, a falar de sentimentos, a cantar e a ter outras atitudes verdadeiramente deprimentes e lamechas... Se eu quisesse ver um romance ou um drama, alugava um, mas quando pego num filme que se chama "Hellboy" (Rapaz-Inferno), quero ver acção, explosões e fogo por todo o lado. Não que não hajam esses detalhes no filme, mas tentarem humanizar a personagem foi uma ideia peregrina...
Normalmente uso estas críticas para aconselhar bons filmes, mas desta vez aproveito para vos dizer para não perderem o vosso tempo com este. A não ser que estejam apaixonados e queiram passar uns dias a colher flores e a trautear "I Just Called To Say I Love You"...


P.S.: Não ponho o trailer porque pode ser enganador. Olhem só para este cartaz e digam se não parece ser um bom filme (doce engano!)...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Crítica DVD : O Estranho Caso de Benjamin Button


Um dos grandes favoritos deste ano e já nomeado para uma série de óscares é o filme "O Estranho Caso de Benjamin Button". Se bem que o filme seja acusado de ser extremamente longo (cerca de 3 horas) e, a espaços, o seu argumento lembrar um pouco "Forrest Gump" (também aqui temos a história da vida de um homem que tem uma doença que o torna "especial" e que passa a vida atrás da mulher que ama, sem que a possa ter senão por breves instantes), o filme tem o charme suficiente para ser um dos melhores do ano. Curiosamente, antes de o ter visto, tinha lido críticas que variavam desde "o melhor filme de sempre" até "o pior que já vi", mas pessoalmente não acho digno de radicalizações. É um bom filme, bem dirigido por David Fincher e com uma interpretação digna de registo de Brad Pitt e Cate Blanchett.
Aconselhavel, "O Estranho Caso de Benjamin Button" será certamente um dos melhores filmes do ano, mas dificilmente se poderá considerar um dos melhores de sempre...