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sexta-feira, 16 de março de 2012

Book Review #5 - Pela Estrada Fora

Jack Kerouac
Retomando uma temática que se encontra um pouco perdida aqui neste blog, volto a opinar sobre livros, neste caso "Pela Estrada Fora" (On The Road, em inglês), do escritor norte-americano Jack Kerouac. Para além de ser um livro que li muito recentemente também se torna importante reflectir sobre esta obra, uma vez que está para estrear um filme baseado nele, para breve, que conta com a participação da actriz Kristen Stewart, a tal que ficou famosa pela saga "Twilight"... Como tal e antes que esteja aqui a falar do filme, acho que convém expressar a minha opinião sobre o romance, que é sempre a base ideal para reconhecer os aspectos principais destes filmes e ter uma melhor visão dos mesmos.
Quanto à obra de Kerouac, este romancista, pintor e poeta que escreveu inúmeros livros e foi influenciado pela musicalidade do jazz, pelo budismo (a uma certa altura da sua vida), pelo consumo de drogas e pela promiscuidade, traz-nos todas essas experiências condensadas neste livro, numa descrição pormenorizada de uma enorme viagem que a personagem "Sal" e o seu amigo "Dean" (que representa o autor e seu amigo Neal Cassidy) fazem pelos Estados Unidos, rumo ao Sul, ao longo das infindáveis estradas do Texas e do Novo México, num percurso em direcção ao nada, no qual o interesse não está na meta, mas na forma e essência da viagem, na esperança de exorcizar uma ânsia e uma mal-estar crescentes. A necessidade de ser rebelde imbuída no valor da amizade num universo jovem, que tanto apelou à "beat generation" da sua época fazendo deste livro um romance de eleição.

Viver, experimentar na primeira pessoa as sensações mais cruas da vida, aproveitar os dias, a descoberta do prazer, numa viagem épica que os conduz ao longo de milhares de quilómetros numa fuga de tudo o que conheciam, mas acima de tudo, numa fuga inconsciente à morte, que os persegue e é expressa sub-conscientemente nas visões de um espírito que os acompanha no deserto da vida, medo próprio da referida "beat generation" que valorizava a vida acima de tudo.
Neste campo, Kerouac apresenta-nos a sua geração como definitivamente mais iluminada, quase espiritualmente santificada, como as personagens "Ed Dunkel", descrito como "um anjo de um homem" ou "Dean Moriarty" que tinha um "olhar divino". Está feita a ponte espiritual de uma história de loucuras com  personagens selvagens e vivas, tais como a sua miúda "MaryLou", com aqueles que o rodeavam e o ajudavam a encontrar o caminho nessa viagem espiritual, que reflectia a América da década de 50 e que se tornou uma influência fulcral em artistas vindouros de diversas áreas, tais como, por exemplo, Bob Dylan, ou Jim Morrison
Um excelente romance, verdadeiramente inspirador, que traz até aos dias de hoje a noção de não nos perdermos no materialismo da vida, mas aproveitarmos o melhor possível os nossos dias, gozando ao máximo, sendo loucos e inconsequentes, pois a morte já vem a caminho...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

200º aniversário de Charles Dickens


Homenagem a Charles Dickens nascido há precisamente 200 anos.

Charles John Huffam Dickens, nascido em Portsmouth a 7 de Fevereiro de 1812, que adoptaria igualmente o pseudónimo Boz no início da sua actividade literária, foi o mais popular dos romancistas ingleses da era vitoriana. Entre os seus maiores clássicos estão "David Copperfield", "Um Conto de Natal" e "Oliver Twist".
Educado pela sua mãe, que lhe ensinava diariamente inglês e latim, passava muito do seu tempo a ler infindavelmente. A sua memória fotográfica serviria, mais tarde, para conceber as suas personagens e enredos ficcionais, baseando-se muito nas pessoas e acontecimentos que marcaram a sua vida.
A sua família era remediada em termos económicos, o que lhe permitiu frequentar uma escola particular durante três anos. A situação piorou, contudo, quando o seu pai foi preso por dívidas, depois de gastar os recursos da família para manter a sua posição social. 

Com dez anos de idade, a família mudou-se para o bairro popular de Camden Town, em Londres, onde ocupavam quartos baratos e, para fazer face aos gastos, empenharam os talheres de prata e venderam a biblioteca familiar que tinha feito as delícias do jovem rapaz. Com doze anos, Dickens já tinha a idade considerada necessária para trabalhar na empresa Warren’s onde se produzia graxa para os sapatos com betume, junto à actual estação ferroviária de Charing Cross. O seu trabalho consistia em colar rótulos nos frascos de graxa, ganhando, por isso, seis xelins por semana. Com o dinheiro, sustentava a família, encarcerada na prisão para devedores, em Moure, onde ia dormir, situação que se manteve durante alguns anos. O tema das más condições de trabalho da classe operária inglesa tornar-se-iam, um dos mais recorrentes da sua obra.
Com pouco mais de vinte anos, os seus escritos denominados "The Pickwick Papers" viriam a estabelecer o seu nome como escritor.
Três dias depois da publicação do primeiro fascículo de "Pickwick", casou-se com Catherine Hogarth, de quem teve dez filhos. Em 1838, em decorrência do sucesso de Pickwick, propõe a publicação de "Oliver Twist" onde, pela primeira vez, apontava para os males sociais da era vitoriana, romance que seria divulgado em folhetins semanais
Em 1843, publicava o seu mais famoso livro de Natal, "A Christmas Carol" ("Um Conto de Natal") ao qual se seguiriam outros, com a mesma temática.

Em 1849 publicou aquele que viria a ser o mais popular dos seus romances, "David Copperfield", onde se inspirava, em grande parte, na sua própria vida. Dickens separou-se da sua mulher em 1858. O divórcio era um acto altamente reprovável durante a era vitoriana, principalmente para alguém com a notoriedade dele. A 9 de Junho de 1865, estando de regresso de França, viu-se envolvido no acidente ferroviário de Staplehurst, em que as seis primeiras carruagens do comboio caíram de uma ponte em reparação.Ainda que tivesse escapado ileso do acidente, nunca chegou a recuperar totalmente do choque. Isso é evidente no ritmo da sua produção que decresce bastante depois deste episódio.
Morreu de morte cerebral em junho de 1870. Foi sepultado no Poets' Corner ("Esquina dos Poetas"), na Abadia de Westminster
Na sua sepultura está gravado: "Apoiante dos pobres, dos que sofrem e dos oprimidos; e com a sua morte, um dos maiores escritores de Inglaterra desaparecia para o mundo."

A maior parte dos principais romances de Dickens foram escritos mensal ou semanalmente, em episódios publicados em jornais como o Household Words, acompanhados de ilustrações de vários artistas.e que depois foram reunidos nas obras completas, tal como as conhecemos actualmente. A publicação em episódios separados tornava as histórias mais acessíveis a um público mais extenso que ia aumentando à medida que as situações por resolver se sucediam, episódio por episódio, criando expectativa entre o público. 
Ebenezer Scrooge
Os romances de Dickens eram, entre outros aspectos, obras de crítica social. Nas suas narrativas são tecidos comentários ferozes a uma sociedade que permitia a pobreza extrema, as más condições de vida e de trabalho e a estratificação social abrupta da era vitoriana, a par de uma empatia solidária pelo homem comum e uma atitude céptica em relação à alta sociedade. Os temas mais recorrentes nas obras de Dickens correspondem a uma vontade de reformar a sociedade exploradora que pertencia e que se concretizava nos asilos para órfãos, nos locais de trabalho degradados, nas escolas que mais se assemelhavam a locais de tortura e no ambiente sórdido das prisões.
As próprias personagens estão entre as mais memoráveis da literatura em inglês. Ebenezer Scrooge, Fagin, Mrs. Gamp, Wilkins Micawber, Pecksniff, Miss Havisham, Wackford Squeers , entre outros, são tão conhecidos do público anglófono que quase se assumem como identidades próprias.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Cidade do Porto - Pontos de Interesse #7

Considerada um ex libris do Porto , a Livraria Lello & Irmão, também conhecida como Livraria Chardron ou simplesmente Livraria Lello, foi eleita a terceira mais bela do mundo. O actual edifício em que se encontra instalada foi inaugurado em 1906 e foi construído pelo engenheiro Francisco Xavier Esteves. Distingue-se pela sua belíssima fachada Arte Nova, com apontamentos neogóticos. No interior, para além dos livros, considerados verdadeiras preciosidades, pode admirar-se um ambiente único, onde sobressai a impressionante escadaria para o piso superior mas também as decorações em gesso pintado, a imitar madeira, e um belo vitral no tecto.

A empresa remonta à fundação da "Livraria Internacional de Ernesto Chardron", em 1869, na Rua dos Clérigos, do cidadão francês Ernesto Chardron que alcançou projecção como editor, sendo o primeiro a publicar grande parte das obras de Camilo Castelo Branco e outras de relevo na época.
Entretanto, em 1881, José Pinto de Sousa Lello abriu um estabelecimento, na Rua do Almada, dedicando-se ao comércio e edição de livros. A 30 de junho de 1894 a antiga Livraria Chardron foi vendida a José Pinto de Sousa Lello que, associado ao seu irmão António Lello, no dia 13 de janeiro de 1906 inaugurou o novo edfício da Livraria Lello, no número 144 da Rua das Carmelitas, causando grande impacto no meio cultural da época. De entre as diversas figuras presentes na inauguração, encontrava-se Guerra Junqueiro, Abel Botelho, João Grave, Bento Carqueja, Aurélio da Paz dos Reis, José Leite de Vasconcelos e Afonso Costa.


A Livraria Lello é um dos mais emblemáticos edifícios do neogótico portuense, destacando-se fortemente na paisagem urbana envolvente. Trata-se de um conjunto em que a arquitetura e os elementos decorativos deixam transparecer o estilo dominante no início de século XX. A fachada apresenta um arco abatido de grandes dimensões, com entrada central e duas montras laterais. Acima, três janelas rectangulares ladeadas por duas figuras pintadas por José Bielman, representando a "Arte" e a "Ciência". Uma platibanda rendilhada remata as janelas, terminando a fachada em três pilastras encimadas por coruchéus, com vãos de arcaria de gosto neogótico. A decoração é complementada por motivos vegetais, formas geométricas e a designação "Lello e Irmão", sob as janelas. Um espaço a visitar, que sempre esteve presente na vida cultural e na imagem turística portuense.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Book Review #4 - Caim

Considerado um dos maiores escritores portugueses de sempre e vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 1998, José Saramago nunca se alheou das diversas polémicas que o perseguiram ao longo da sua vida que teve um fim físico em 2010, mas que mercê da sua magnífica obra será certamente intemporal.
Sendo que já li alguns dos seus romances, fiquei fascinado pela sua escrita, sentido de humor e expressão inequívoca dos seus ideais, aquilo que tantos acham polémico. Marxista convicto mas apologista da democracia, gerou ideias políticas que não lhe trouxeram muitos fãs, mas foi essencialmente através do expressar do seu ateísmo que Saramago mais foi criticado em obras que chocaram a igreja tais como "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" ou  mais recentemente "Caim" (2009). E é deste último que quero falar...
Partindo das imagens bíblicas criadas, Saramago faz um exercício brilhante sobre a interpretação simbólica de certas passagens do livro sagrado, começando pela vida de Adão e Eva no Jardim do Éden e todos os acontecimentos que conduziram à sua fatídica expulsão, até à famosa história de Caim que mataria o seu irmão Abel, tornando-se assim no primeiro assassino de sempre. A partir daí Caim torna-se personagem central da história, percorrendo o mundo e o tempo e estando presente em inúmeros momentos importantes do Antigo Testamento, em episódios ligeiramente ficcionados, mas verdadeiramente divertidos, em que a sátira cáustica do autor sobre as opiniões religiosas vem à tona. Obviamente, para quem professar mais religião do que eu, reconheço que o deve ler com o espírito aberto e com uma boa dose de capacidade de encaixe humorístico, senão é provável que atirem o livro a uma lareira como tantos outros foram na época da Inquisição. Não obstante, há que reconhecer que à parte as posições perante a fé, este livro deixa muito para pensar e obriga a uma ponderação se não terá sido de facto deus (em minúsculas como Saramago se refere no livro), o derradeiro responsável por tantas atrocidades e ódios com que a Humanidade há milénios se debate. Não será  por haverem tantas posições extremadas que o Homem deixa a sua capacidade de pensar, de reflectir sobre os acontecimentos e prefere a descontracção que é deixar ao cargo de uma entidade sobrenatural, muitas das decisões e consequências dos actos das suas próprias mãos? É assim que Saramago sempre pensou, sempre se insurgiu contra as supostas "guerras santas", contra os extremismos e as hipocrisias religiosas e nesse campo, o livro "Caim" é um divertido exercício de reflexão que aconselho a todos aqueles que não tenham preguiça ou medo de pensar...


domingo, 20 de novembro de 2011

Vídeo da semana

Inevitavelmente o vídeo mais importante da semana vem de um inquérito que a revista Sábado fez a cerca de 100 estudantes universitários, em Lisboa, onde foram colocadas algumas questões de cultura geral, aparentemente simples, mas que deram origem a respostas verdadeiramente épicas. Numa altura em que é divertido brincar com a ignorância de uma participante de um reality show na TV portuguesa, explorando a simplicidade dessa rapariga com o já conhecido vampirismo dessa estação de televisão, que normalmente não desperdiça uma oportunidade de fazer um mau serviço público e continuar a diminuir o Q.I. dos portugueses, torna-se no mínimo chocante ver estes "futuros doutores" a demonstrarem tal estupidez colectiva e falta de gosto em adquirirem mais cultura e conhecimentos básicos. 
Mas só surpreende quem não está atento e quem ainda acha que o estudante é aquela figura de sabedoria que se deve respeitar e idolatrar (como assim era antigamente) e não um grupo de marrões que se limitam a decorar conceitos sem os assimilarem para além das provas, ou filhinhos de papás que pagam o seu "canudo" nas Universidades privadas  e que só anseiam pelas bebedeiras das Queimas das Fitas e restantes noitadas, razão única aliás pela qual estão nas Universidades. 
Triste presságio nos descreve este vídeo dos futuros líderes da nação......tenham medo...muito medo....

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Book Review #3 - O Papalagui


O livro "O Papalagui", que significa "o Branco" ou "o Senhor", no dialecto dos Samoanos, com quem o escritor e pregador germânico Erich Scheurmann privou durante algum tempo, descreve a simplicidade e até inocência com que o chefe Tuiavii, da tribo Tiavéa, via o homem branco dito civilizado, no início do Século XX.

Composto pelas conversas de certo modo filosóficas que Scheurmann terá tido durante o tempo em que esteve com a tribo, dá-nos uma imagem do distanciamento que a sociedade moderna tem actualmente (porque ainda que escrito em 1920, torna-se quase intemporal), da Natureza e do mundo que nos rodeia em detrimento da tecnologia e da vida numa sociedade urbano-dependente.
A maneira como nos é descrita a nossa própria existência numa crítica sem maldade que é feita pelo chefe da tribo, faz com que qualquer pessoa que leia este livro sinta humildade e o reconhecimento de que cada vez mais somos incapazes de viver sem objectos tais como telemóveis, computadores ou televisão.
É deliciosa, mas também constrangedora a forma como Tuiavii descreve artigos tão simples tais como o vestuário que usamos ou as habitações elaboradas em que vivemos, passando pela nossa obsessão com o enriquecimento e o stress do dia-a-dia que não nos deixa tempo para viver.
Um excelente livro que aconselho a quem está cansado de viver nas cidades e também a quem tem filhos e lhes quer mostrar a futilidade das playstations ou ipods.

domingo, 18 de abril de 2010

Book Review #2: 1984, de George Orwell


Quando em 1949, o autor britânico de origem indiana, Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo pseudónimo de George Orwell, acabado de sair da 2ª Guerra Mundial, escreveu o livro 1984, estava ainda presente na sua mente o perigo do totalitarismo que o regime de Hitler tinha tentado impor na Europa e a crescente expansão da influência comunista que a Rússia começava a "espalhar" pelos países do futuro Pacto de Varsóvia (que viria a ser assinado 6 anos depois).
Assim, Orwell descreve-nos no seu romance o que poderia estar a caminho no então longínquo ano de 1984 (embora até a passagem do tempo seja posta em causa), caso o mundo se viesse a dividir em blocos de influências regidos por regimes absolutistas e totalitaristas com a capacidade de moldar as mentalidades da sua população através de uma vigilância constante e terror causado por perseguições, torturas e o mais completo controle mental. A criação, inclusive, de uma nova língua (Novilíngua) que pretende comprimir e diminuir o lêxico gramatical do inglês, apenas para servir o propósito de limitação mental da população e reduzir as ideias subterfúgicas e os Ministérios governamentais com os seus nomes antónimos que policiam todos os sectores da sociedade oceânica (por exº: Ministério da Paz, que controla a guerra ou Ministério do Amor, que tortura as pessoas).
O livro é narrado pela personagem Winston Smith, que é um insignificante indivíduo que está encarregue da alteração de documentos históricos, com o intuito de manipulação da história sempre em consonância com as indicações do regime que controla a sua facção, a Oceânia (mais abaixo no mapa a rosa).
Neste romance surge-nos o conceito de "Big Brother" (O Grande Irmão) que mantém uma vigilância constante sobre tudo e todos, impedindo inclusive os pensamentos de rebelião contra o regime e levando ao desaparecimento de todos os que não hajam em conformidade. Esse terror de hiper-vigilância persegue-nos até aos dias de hoje pois é comum haver inúmeras teorias de conspiração sobre intrusões na vida privada dos cidadãos através de vigilâncias-satélite ou chips inseridos sob a pele, que colidam com os direitos fundamentais de privacidade. Mas no fundo, tudo o que gerou foi um popular reality show na televisão, que foi um sucesso mundial.
Fica a mensagem geral do livro que ajuda a que as gerações vindouras tenham presente a necessária vigilância contra qualquer tipo de tirania governamental e impeçam que agora e no futuro, valores imprescindíveis tais como a liberdade de expressão, a imprensa livre de influências politico-ideológicas e o direito à revolta e ao protesto, nunca permitam que nos imponham uma sociedade "Orwelliana".

Mapa do mundo em 1984

domingo, 14 de março de 2010

Book Review #1: Gomorra, de Roberto Saviano

Começando hoje, publicarei aqui de quando em vez uma criticazinha pessoal de literatura, para os amantes de um bom livro...

Gomorra, é um livro de Roberto Saviano, um jovem escritor e jornalista italiano de 28 anos, nascido em Nápoles, onde viveu e trabalhou até que, em Setembro de 2006, o êxito deste livro, que cita nomes e lugares (pois o autor viveu infiltrado na Camorra e hoje tem a cabeça posta a prémio), o obrigou a viver oculto e sob protecção policial permanente. É licenciado em filosofia e membro do grupo de estudos sobre a Camorra e a ilegalidade e colaborador de periódicos tais como L'Espresso e La Repubblica, entre outros.
O livro é uma viagem ao império económico gerado pelo domínio da máfia napolitana. Saviano descreve a forma tentacular como a Camorra (máfia napolitana) consegue exercer o seu domínio no tecido económico e empresarial do Sul da Itália e na Região napolitana e funciona como um Estado paralelo, sendo responsável pelos maiores índices de violência da Europa, chegando ao mundo da alta-costura italiana, ao sofisticado mercado das obras de arte, ao comércio de produtos piratas, ao negócio do lixo e ao tráfico internacional de drogas, com conexões nas principais cidades do mundo, do Leste Europeu aos EUA, da China ao Brasil.
Também bastante interessante, é a influência e admiração que a Camorra tem entre tantos jovens, a forma como eles admiram e imitam as associações camorristas. A forma como são treinados pela própria Camorra para se tornarem verdadeiros mafiosos. Os pequenos delitos, os ensaios de pancada, as provas de coragem, os testes psicológicos e de lealdade.
Também a influência do cinema é abordada, a distinção entre o que é a realidade e o que é Hollywood, como a realidade e a ficção se tocam e influenciam reciprocamente. O vestuário, os gestos, a fala, as formas de matar. No entanto, o autor, reflecte sobre a imagem que o público em geral tem sobre a Mafia, que ainda está toldada por filmes como "O Padrinho" ou "Scarface", sendo que a realidade se assemelha mais a empresas geridas como tal...
O resto do livro prende-se um pouco ás questões relacionadas entre as associações camorristas, as histórias das rivalidades e dos massacres, a polícia e a anti-máfia, as fugas, as prisões, os julgamentos, enfim, as faces da Camorra, mais expostas ao mediatismo.
Um livro interessante, que nos conta histórias reais de uma Itália que, por vezes, parece esquecer que alguns problemas ainda persistem e, em pleno século XXI, continua a ter no seu seio uma poderosa organização que controla tudo. Também saiu o filme baseado no livro, mas foi tão alterado para uma vertente mais "comercial", que é um daqueles casos em que o livro é definitivamente melhor que o filme...




sexta-feira, 23 de maio de 2008

Do livro para o filme 2



O que dizer sobre José Saramago? O vencedor português do prémio Nobel da Literatura, que nos encheu de orgulho. O escritor prolífico que nos trouxe obras fantásticas tais como: "Memorial do Convento", "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" ou "A Jangada de Pedra", entre outros. E o que podemos dizer sobre o realizador brasileiro Fernando Meirelles, que nos trouxe o mítico "Cidade de Deus"? E se juntassemos os dois? Teriamos nada mais, nada menos que o filme "Blindness", baseado na obra de Saramago, "Ensaio sobre a cegueira". O filme promete. Tem um elenco interessante que conta com "Julianne Moore" e "Alice Braga" (Sim, a sobrinha da Sónia Braga!).
O filme já foi apresentado em Cannes e tem tido críticas pouco favoráveis, mas isso só dá mais vontade de o ver, pois toda a gente sabe que esses críticos de Cannes são uns idiotas... Por tudo isso, é aconselhavel esperar a sua estreia em Portugal, prevista para Setembro. Se não puder esperar, leia o livro que só lhe faz bem!

Do livro para o filme 1



Incluido no festival de cinema independente Indie Lisboa '08 esteve o filme da realizadora Teresa Prata, baseado na obra literária de um dos melhores escritores de língua portuguesa, o moçambicano Mia Couto. O livro entitulado "Terra Sonâmbula" é um relato de extrema beleza lírica de momentos de tristeza e depressão pós-guerra civil, mas que o autor consegue transformar numa viagem através do imaginário fantástico baseado nas histórias que um menino e um velho vão descobrindo num diário que encontraram. Se puderem, vejam o filme. Se forem mesmo ambiciosos, leiam o livro, pois não se irão arrepender!...