sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Músicas de uma vida - Opium

Por hoje ser sexta-feira 13 e haver uma certa conotação "negra" por detrás de um dia marcado no calendário, que certamente não terá nada de extraordinário, para além de tolas superstições, escolhi o tema de hoje em consonância com esse "dark spirit". Optei por uma música de uma banda nacional que começou verdadeiramente a ter sucesso fora de portas, mercê da relativa excentricidade da sua opção musical, grande demais para um país limitado como Portugal. 
Felizmente, alcançado relativo sucesso internacional e tendo conseguido assinar inicialmente com uma editora francesa, os "Moonspell", também já são um nome de reconhecido valor na sua própria pátria e têm uma carreira produtiva com inúmeros concertos e 9 álbuns lançados.

Liderada pela voz poderosa e ligeiramente gutural Fernando Ribeiro trouxeram-nos no ano de 1996 o seu segundo álbum, denominado "Irreligious" e esta música fantástica intitulada "Opium". Este álbum revelou um pouco mais certas influências góticas que Ribeiro tenta muitas vezes negar para não desiludir os seus fãs de metal, mas foi esse lado negro e vampiresco que me apelou neste trabalho.
A música é pequenina (menos de três minutos), mas tem uma bateria troante e guitarras metálicas que alimentam o espírito e a voz de Fernando Ribeiro que termina a cantar em português (citando o poeta português Fernando Pessoa, num excerto de "Opiário", sob o heterónimo Álvaro de Campos), ele que nunca escondeu ou se envergonhou das suas origens lusitanas, antes pelo contrário, enaltecendo-as sempre como em temas tais como "Alma Mater" ou "Os Senhores da Guerra" (cover de Madredeus), tornando-se um digno embaixador das nossas cores onde quer que tenha actuado.




"Por isso eu tomo ópio; É um remédio. Sou um convalescente do Momento. 
Moro no rés do chão do Pensamento e ver passar a vida faz-me tédio." 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A Piece of My Mind #15

A economia é uma máquina cuja subsistência carece de contínuo funcionamento. Se parar de trabalhar um dia, arrisca-se a não pegar novamente o motor. Por isso, esta sociedade completamente submergida nos valores económicos, tem uma série de mecanismos que vão impedindo que a máquina "Economia" pare e até chegam a espalhar pânico geral, quando esta ameaça abrandar. Os governos são criados e têm como uma das principais funções ajudar este sistema com pequenos "empurrões" que fazem com que nunca nenhum cidadão se lembre de passar um dia a viver neste país e a respirar o ar nacional sem ter que gastar dinheiro e depois este ir parar sempre aos mesmos bolsos daqueles que bebem Dom Pérignon e jogam golfe em Vilamoura.

A nova forma de "comer a cabeça" ao povo que criaram, começa a ser posta em prática hoje, com o fim do sinal analógico de televisão e a entrada de Portugal na realidade da TDT (Televisão Digital Terrestre).
Ora este governo de direita pode vir com falinhas mansas e dizer que é uma imposição da Comunidade Europeia (que a DECO já desmentiu) ou então que Portugal tem que acompanhar os tempos da era digital, que não vai esconder o verdadeiro propósito da coisa. A ideia por detrás desta TDTreta é apenas tirar mais alguns euros do bolso do Zé Povinho, que se começa a assustar com a história da crise e anda a guardar os cêntimos no porquinho-mealheiro, ameaçando não os entregar aos bancos e aos tais jogadores de golfe beberricadores de Dom Pérignon, que é para onde deve fluir o dinheiro, para bem da Economia.

Zeinal Bava - Presidente Executivo da PT
Ignora-se que vivemos num país com cada vez mais desigualdades entre o litoral e o interior, que temos uma população envelhecida e que grande parte das pessoas subsiste com rendimentos miseráveis (já para não falar dos 700 mil desempregados!) e arranja-se uma forma, devo dizer, maquiavélica, de obrigar a malta a comprar o raio dos aparelhinhos, depois mais uma antena ou um amplificador de sinal porque o sinal é fraco e até um novo televisor porque o que tinham há mais de 20 anos não tem entradas para as ligações do aparelho de recepção (ou ainda a opção meter TV por Cabo e alimentar mais ainda os tubarões da indústria). E com isto os pobres coitados deste país entram em 2012 com uma série de despesas que não contavam (para bem da Economia), sob pena da alternativa ser perderem um dos poucos meios de comunicação com o mundo e terem que voltar atrás no tempo, aos dias da rádio. Já estou a ver o Sr. Abílio, na aldeia de Catrapasso de Cima, tristonho porque teve que gastar as suas economias arduamente poupadas da sua reforma de 300 euros, no novo aparelho, pois tem medo de morrer isolado e quase sozinho na aldeia, com as suas 10 cabras e 3 bodes. Ou então a Dna. Antónia que toma 6 medicamentos diferentes para igual número de problemas de saúde e agora tem que mudar para o TDT, para ver a novela da tarde, magro divertimento para quem trabalhou grande parte da vida descontando impostos para este país comprar Dom Pérignon para as festas de empresários que pertencem a uma loja maçónica com nome de um famoso compositor austríaco.
Mas este governo é amigo! Em troca por esse esforço no caminho para um Portugal mais moderno, oferece com o TDT: 4 canais!!! (Rolam-me lágrimas de alegria pela cara, neste momento!) - 4 completos canais! UAU!


Claro que os outros países europeus que migraram para a TDT tiveram a boa ideia de oferecer mais canais e até aumentar a oferta de canais públicos, tais como a TVE , em Espanha, mas para Portugal não é preciso. Afinal, para entreter burros, 4 fardos de palha já são mais que suficientes!...

Comparem!

TDT Espanhola:
  • Mais de 25 canais de televisão de acesso gratuito (a oferta varia de região para região);
  • Canais regionais e locais;
  • Canais de rádio de acesso gratuito;
  • Canais em Alta definição;
  • Generalização das emissões em 16:9;
  • Utilização de dois canais áudio (Dobragem/VO) por alguns canais;
  • Canais pagos (Gol Televisión);
  • Serviços interactivos;
  • TDT por satélite.
TDT Portuguesa:
  • 4 Canais de televisão de acesso gratuito.

Cidade do Porto - Pontos de Interesse #13

A Foz do Douro é uma freguesia da cidade do Porto, também conhecida por "Foz Velha" é muitas vezes conhecida simplesmente por Foz, quando considerada toda a zona ocidental da cidade que engloba também outras freguesias. Dividida entre a margem do Rio Douro e a frente marítima, onde desagua precisamente esse rio, a área da Foz é uma zona interclassista, sendo, no entanto, mais conhecida por ser uma zona habitada pela classe alta da cidade. O seu passeio marítimo, salpicado de esplanadas, bares e jardins à beira-mar fazem desta zona, uma da mais procuradas dentro do Porto.
No seu património, realce para as primeiras manifestações em Portugal da arquitectura da Renascença, com a capela-farol de S. Miguel-o-Anjo, na Cantareira, que data de 1527 e se encontra junto ao Marégrafo, colado à Torre do Telegrafo. Também podemos ver o palácio e Igreja, intra-muros do Forte de São João Baptista da Foz, que foi muito remodelado durante a Guerra da Restauração. Estas obras foram mandadas construir pelo Bispo D. Miguel da Silva, em 1527, com a participação do arquitecto-escultor Francisco de Cremona

A Igreja Matriz e o citado forte (ambos do século XVII) são também de assinalar. Entre as encostas do Monte da Luz e a do Monte, descendo até à Cantareira, existe um aglomerado urbano rico que, em importância, segue logo o do centro histórico da cidade. Do outro lado, para além do fim da Foz, na Praça Gonçalves Zarco e numa ponta da Avenida da Boavista, encontra-se o Castelo do Queijo, alcunha dada segunda reza a lenda devido à forma do rochedo onde foi construído o castelo.


As praias da Foz eram principalmente frequentadas por cidadãos britânicos, no século XIX. São a eles que devemos a moda dos passeios à beira mar no Verão. O Porto sempre foi uma cidade muito frequentada por ingleses, que vinham por cá fazer negócio. Ideal para beber um copo e sentir o ar marinho, para fazer uma pequena corrida ao longo do passeio, inteiramente iluminada com magníficos candeeiros, pousados na linda balaustrada ou descansar, à sombra de uma grande palmeira, com único horizonte o Oceano. Para acrescentar ao prazer de vir à Foz, o Jardim do Passeio Alegre foi construído, e foi lá colocado o enorme Chafariz do Passeio Alegre, obra de Nicolau Nasoni, arquitecto do ex-libris portuense : a Torre dos Clérigos, sobre a qual falei no primeiro post deste tema, aqui .



quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Trailer de "Wrath of the Titans"


No final do ano passado (que não vai assim há tanto tempo...) deixei aqui algumas indicações de potenciais "blockbusters" para 2012. Como é óbvio, muitos ficaram de fora, principalmente por ausência de um trailer decente para vos mostrar. Um deles foi a sequela do filme "Clash of the Titans" (Confronto de Titãs), de 2010, que se chamará "Wrath of the Titans" (Fúria de Titãs).
O filme traz-nos de novo o actor Sam Worthington, no papel de "Perseus" e Liam Neeson, no do todo poderoso "Zeus", bem como Ralph Fiennes protagonizando "Hades".
Apesar de algumas críticas menos positivas ao primeiro filme, não se pode ignorar o facto de que esse custou cerca de 125 milhões de dólares e gerou receitas de quase 500 milhões de dólares por todo o mundo, pelo que a sequela se justifica, obviamente.
Nesta continuação da história, depois do Semi-Deus Perseus ter derrotado o monstruoso Kraken, procura paz na sua vida, mas é chamado de novo a intervir numa luta pela supremacia entre Titãs e Deuses após saber da notícia que Hades e o filho de Zeus, Ares (Edgar Ramirez) se voltaram contra o líder dos Deuses num acto de traição que poderá pôr em causa a Humanidade, que representa sempre o papel de elo mais fraco nesta equação.
Podem esperar enormes e múltiplos efeitos especiais, pois trazer ao ecrã uma épica guerra destas assim o exige. O filme está previsto estrear em Março, por isso fiquem já com o trailer com a cover da música "Sweet Dreams" dos Eurythmics, tocada pela banda de Marilyn Manson, para decidirem se querem ver este filme ou se nem por isso... 

Estreia da semana


A minha escolha para destacar esta semana nas estreias cinematográficas recai, não sobre "Moneyball", com Brad Pitt, como seria expectável (já estou farto de filmes americanos sobre as suas paixões pelos seus desportos de eleição: baseball, futebol americano, etc.), mas sim sobre uma comédia de parceria Canadá/EUA, que já tive oportunidade de ver (já que é de 2010, embora estreie em Portugal só agora!), chamada "Tucker e Dale Contra o Mal".
O argumento é bastante simples: dois simples "hillbillies" (labregos, poderiamos dizer assim), de férias numa remota região em busca de boa pesca e algum tempo de lazer, vão-se cruzar com um grupo de jovens citadinos que também se dirigem para as montanhas para um refúgio de férias. Imediatamente, e após alguns desentendimentos, os velhos esteriótipos de tresloucados "serial killers" que se aproveitam de jovens incautos vêm à tona e gera-se um terrível mal-entendido que terá funestas consequências.
Uma comédia de terror, muito bem humorada (e bastante sangue!), com situações cómicas derivadas do facto de que todos nós temos um bocadinho de má impressão inicial em relação a estranhos, em especial se forem diferentes de nós.
O filme é bastante divertido e segue a linha de outras comédias idênticas, mas também recorda clássicos do terror, tais como "Sexta-Feira 13" ou "O Massacre no Texas".
Os actores são no geral bastante desconhecidos, destacando apenas a participação de Tyler Labine, mais conhecido de séries televisivas tais como "Reaper" ou do filme "Planeta dos Macacos - A Origem" e Alan Tudyk, actor que tem feito vozes em muitas animações e participou nos "Transfomers 3" e noutros papeis secundários (mas não posso negligenciar a participação da sensual Katrina Bowden!).

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Crítica DVD - Año Bisiesto (Leap Year)


"Todo o inferno está contido nesta única palavra: solidão." - Victor Hugo, autor de "Les Miserables"

Laura é uma jornalista que trabalha a partir de casa e vive uma vida de intensa solidão. Absorvendo com uma certa inveja a felicidade familiar dos seus vizinhos, cuja vida segue pela janela e a fazem criar laços fictícios com eles, dividida entre a existência insípida entrecortada por relações fugazes com homens que só a usam como objecto sexual, o isolamento de Laura vai crescendo e corroendo a sua alma. Longe da família, perde-se nos braços de um homem, Arturo, que por ter tido um único gesto de carinho para ela, a conduz a um mundo de sadomasoquismo, que para Laura podem servir os seus intentos de fugir da sua vida pela via mais definitiva.
A leve sugestão de um trauma de infância na mente de uma mulher que marca os dias no calendário na vã esperança de encontrar o amor. A história pungente de viver em total solidão, que a levam a rodear-se de mentiras para dissimular o seu estado de espírito àqueles que lhe querem bem. Este é o argumento do filme mexicano "Año Bisiesto" ("Ano Bissexto" em português, "Leap Year", em inglês).

Gustavo Sánchez Parra e Monica Del Carmen
Um filme claustrofóbico, perturbador e cruel, desenrolado exclusivamente num apartamento que se baseia em grande parte na performance da actriz Monica Del Carmen e que consegue os objectivos a que o realizador Michael Rowe se propôs (vindo a vencer o prémio Golden Camera, em Cannes, com este filme).

Relembro que o cinema mexicano tem revelado grande potencial, a julgar por este trabalho e pelos filmes do galardoado realizador Alejandro González Iñárritu, que nos trouxe "Amores Perros", "21 Grams", "Biutiful" ou "Babel", por exemplo.


P.S.: Não confundir com o filme "Leap Year", comédia romântica americana, que estreou em Portugal em 2011, com a actriz Amy Adams (título em português: "Tinhas mesmo de ser tu..."). Não tem nada a haver! A sério!... Quem gostar de um destes filmes não pode gostar do outro... :)