sexta-feira, 11 de maio de 2012

Concertos que eu iria ver (...e levaria todos os meus amigos!) #9 - Biffy Clyro

Eu sei que desta vez venho pedir uma banda que tem passado por Portugal algumas vezes, nomeadamente em Paredes de Coura, em 2008, no Santiago Alquimista, em Lisboa, no ano seguinte (para além de terem sido banda de abertura dos Muse) e depois, em 2010, no Optimus Alive. Mas o facto é que não tive ainda a oportunidade de os ver e temos festivais que cheguem (wink, wink, piscadela de olho ao Marés Vivas!...).
Com efeito, a banda escocesa Biffy Clyro parece gostar de Portugal e, uma vez que se preparam para lançar dois álbuns em simultâneo este ano, que tal aproveitar para convidar estes rapazes para virem cá experimentar alguns dos novos temas ao vivo? Oferecemos-lhes uma garrafa de vinho do Porto e levamo-los a comer uma francesinha. Em troca, eles trazem um tupperware de haggis... espera ai... é melhor não! Basta que apareçam em palco...mas podem trazer uma boa garrafa de whisky que ninguém se deve importar!
Com tantas vantagens parece-me quase uma asneira não os trazermos cá para levantarem um pouco o véu aos seus próximos trabalhos siameses "The Land at the End of Our Toes" e "The Sand at the Core of Our Bones" que serão lançados ainda este ano.
Até lá, fica aqui uma música do seu quinto álbum de estúdio, de 2009, "Only Revolutions", intitulada "God & Satan", que começa com a épica frase: "I talk to God as much as I talk to Satan, because I want to hear both sides"...

Músicas de uma vida - Skinflowers

The Young Gods
Quando os anos 90 entravam pelos ouvidos dentro de grande parte das pessoas pela mão da onda grunge que varreu o planeta, para mim, que também gostava de grunge, havia outros sons que me fascinavam para além daqueles que atravessavam o Atlântico.
Estando atento ao que se passava no velho continente, mais propriamente na pacata Suiça, terra de chocolates e relógios de cuco, mas também de variedade musical como o demonstravam os Young Gods, trio de músicos que usavam e abusavam dos samplers, de uma batida frenética e da voz poderosa de Franz Treichler que cantando em francês, em alemão ou, como no caso do álbum de 1992, "TV Sky", em inglês, fosse em que língua fosse traziam do melhor que a universal linguagem da música podiam produzir.
De facto este álbum, quarto da banda, traria temas memoráveis que mais tarde seriam repetidos três anos depois no posterior "Only Heaven", que os trouxeram a Portugal para a primeira edição do Festival Super-Bock, Super Rock, em Lisboa, onde nunca me esquecerei da loucura que foi estar a cerca de 10 metros do palco no início da sua participação e após a loucura que invadiu o público com o extraordinário concerto que deram, dei por mim a mais de 100 metros de distância, tendo "surfado" aquela onda de multidão que me foi projectando cada vez mais para trás...
Deixo, para recordar, um dos meus temas preferidos desse álbum, a música "Skinflowers", desta banda pouco conhecida pelo público "comercial", mas que já influenciou músicos tais como Mike Patton, The Edge (dos U2) ou David Bowie


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Guillemots - Novo álbum: "Hello Land!"

Os Guillemots, banda de indie de Birmingham, no Reino Unido, que tive oportunidade de destacar neste post, dando-lhes o primeiro destaque das bandas que acredito virem a ter um futuro promissor, preparam um ano de 2012 cheio de força e criatividade, a julgar pelos seus planos de virem a lançar 4 (!!!) álbuns até ao final deste ano (será que também têm medo da profecia dos Maias?). Para começar, há dois dias atrás, saiu já o primeiro que se chama "Hello Land!".
O disco conta com 8 temas, bem elaborados por estes rapazes formados em 2004 e com três trabalhos de estúdio anteriores e mostra que este quarteto está bem de saúde e recomenda-se. Poderemos ouvir o single "Up On The Ride" que já dá uma ideia deste álbum, mas temporariamente pode-se escutar o álbum na integra (mas não sei por quanto tempo, pelo que é de aproveitar).
Por isso fica aqui o single e o álbum, mais abaixo, enquanto não o tirarem do ar...

Guillemots - Up On The Ride

Guillemots - Hello land! (full album)

Portugal - Pontos de Interesse #17


O Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, também conhecido como Real Abadia de Santa Maria de Alcobaça ou mais simplesmente como Mosteiro de Alcobaça, é a primeira obra plenamente gótica erguida em solo português. Foi começado em 1178 pelos monges de Cister. Está classificado como Património da Humanidade pela UNESCO e como Monumento Nacional, desde 1910, tendo sido eleito como uma das sete maravilhas de Portugal, em 2007. 
D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, doou e coutou muitas terras na região de Alcobaça a S. Bernardo, em cumprimento da promessa feita, em 1147, quando da conquista de Santarém. É de cerca de 1152 o começo da construção provisória do mosteiro em Alcobaça, tendo a carta de doação sido assinada por D. Afonso Henriques no ano seguinte. 
O mosteiro é constituído por uma igreja ao lado da sacristia e, a norte, por três claustros seguidos, sendo cada um circundado, na sua totalidade, por dois andares, assim como também por uma ala a sul. Os claustros, inclusive o mais antigo, possuem, igualmente, dois andares. Os edifícios à volta dos claustros mais recentes possuem três andares. Entre 1178 e 1240, a igreja e o primeiro claustro foram construídos no estilo pré-gótico, da passagem do românico, tendo a Igreja sido inaugurada em 1252 - é a primeira obra plenamente gótica erguida em solo português. 
A Igreja é constituída por uma nave central, duas naves laterais, e um transepto, criando a imagem de uma cruz - planta de cruz latina. A arquitectura da igreja de Alcobaça é um reflexo da regra beneditina da procura da modéstia, da humildade, do isolamento do mundo e do serviço a Deus. Apesar da sua enorme dimensão, o edifício apenas sobressai através dos seus elementos de estrutura necessárias que se dirigem ao céu. A concepção arquitectónica deste monumento, desprovida de decoração e sem imagens, como ordenava a Ordem de Cister, apresenta uma grandiosidade e beleza indiscutíveis.
O monumento tem sido sempre encarado como uma excepção no quadro do modo gótico produzido em Portugal como uma peça única e experimental sem antecedentes nem descendentes.

Os Túmulos:

Túmulo de D. Pedro
Dentro da igreja encontram-se os túmulos dos reis D. Afonso II (1185 -1223; túmulo datado de 1224) e de D. Afonso III (1210 -1279). Situam-se dos dois lados da Capela de São Bernardo (contendo a representação da sua morte) no transepto a sul. Diante destes túmulos, numa sala lateral, posicionam-se oito outros túmulos, nos quais se encontram D. Beatriz, mulher de D. Afonso III, e três dos seus filhos. Um outro sarcófago pertence a D. Urraca, a primeira mulher de D. Afonso II. Não se conhece a história dos outros sarcófagos, estando estes, hoje em dia, vazios após terem sido novamente selados entre 1996 e 2000. 
Túmulo D. Inês de Castro
Os túmulos de D. Pedro I (1320 -1367), com o cognome O Terrível ou também O Justo, e o de D. Inês de Castro (1320 -1355), que se encontram em cada lado do transepto, conferem, ainda hoje atribuem um grande significado e esplendor à igreja. D. Pedro I casou em 1336, em segundas núpcias, com D. Constança Manuel (1318-1345), uma princesa castelhana. Devido a várias guerras entre Portugal e Castela, D. Constança só chegou a Portugal em 1339. No seu séquito, ela trazia a camareira Inês de Castro, que provinha de uma antiga e poderosa família nobre galega. D. Pedro I apaixonou-se por ela. Em 1345, D. Constança morrera catorze dias após o parto do seu filho sobrevivente, D. Fernando I. D. Pedro I passou a viver publicamente com D. Inês, nascendo desta relação três filhos. O pai de D. Pedro I, D Afonso IV, não aceitou esta relação, combatendo-a e, em 1355, condenou D. Inês à morte por alta traição. Após subir ao trono, D. Pedro I vingou a morte da sua amada (afirmando ter-se casado com ela em segredo no ano de 1354) e decretou que se honrasse D. Inês como rainha de Portugal. Quando em 1361 os sarcófagos estavam prontos, O Rei mandou colocá-los na parte sul do transepto da igreja de Alcobaça e trasladar os restos mortais de D. Inês de Coimbra para Alcobaça, sob o olhar da maior parte da nobreza e da população. No seu testamento, D. Pedro I determinou ser enterrado no outro sarcófago de forma a que, quando o casal ressuscitasse no dia do Juízo Final, se olhassem nos olhos 
Actualmente, os túmulos são o destino de muitos apaixonados, que muitas vezes os visitam no dia do seu casamento, para fazerem juras de amor eterno e de fidelidade defronte aos dois túmulos.

Curiosidades:

- Antigamente, o chão estava todo ele coberto por estas placas funerárias pois, de acordo com uma regra cisterciense do ano de 1180, os abades deviam ser enterrados na Sala do Capítulo. Assim, os monges eram obrigados a tomar as suas decisões em cima dos túmulos de abades falecidos. Este género de enterro era uma grande excepção dentro da ordem cisterciense pois, normalmente, os enterros estavam proibidos dentro dos mosteiros. Por esse motivo, encontra-se uma porta, com acesso ao exterior, no transepto a sul, chamada de Porta da Morte, pois os monges falecidos eram transportados através dela para serem enterrados. Não obstante este facto, durante os trabalhos de renovação da abadia de Alcobaça, foram encontrados debaixo do chão e também nos muros monges enterrados, para os quais, obviamente, foi feita uma excepção àquela regra.
- Era apenas no Parlatório que os monges estavam autorizados a falar com um representante do abade. Por princípio, os monges estavam obrigados ao silêncio, com excepção da reza, e só se podiam transmitir informações muito necessárias. Por esse motivo, muitos utilizavam uma linguagem gestual.

- No lado oeste da ponta a sul, o Refeitório abria-se para a antiga cozinha medieval, hoje uma sala lateral, que conduz ao claustro de D. Afonso VI. Alguns metros à frente, encontra-se na mesma parede uma abertura de dois metros de altura e 32 cm de largura, que conduz à sala, não existindo nenhuma explicação científica para ela. De acordo com uma lenda, esta abertura destinava-se ao controle do peso dos monges. Uma vez por mês, os monges tinham de passar por esta porta, o que só era possível fazendo-o de lado. Se, devido ao excesso de peso, os monges não conseguissem passar pela abertura, eram obrigados a fazer dieta. 
- Na Sala das Conclusões encontravam-se as estátuas dos reis portugueses que, entre os anos de 1765 e 1769 foram mudadas para a actual Sala dos Reis que, anteriormente, tinha servido de capela. As 19 estátuas dos reis, que ainda se conservam, encontram-se nessa sala, em cima de pedestais. Nos azulejos azuis, datados do último terceto do século XVIII, que revestem as paredes da Sala dos Reis, representou-se a história da fundação do Mosteiro de Alcobaça. Nesse local, encontra-se o grupo de estátuas de D. Afonso Henriques, de São Bernardo de Claraval e do Papa Inocêncio II durante a coroação imaginária do rei português no ano de 1139.

- No século XVIII, entre o muro do Mosteiro orientado a sul e o próprio Mosteiro encontravam-se jardins imponentes, os Jardins Franceses. Destes jardins ainda existe um poço em forma de elipse e um obelisco, que datam provavelmente das modernizações iniciadas no século XVI, sob a influência do barroco, na parte ocidental. Os visitantes do século XVIII louvavam estes jardins
Em 1834 os monges foram obrigados a abandonar o mosteiro, na sequência da expulsão de todas as ordens religiosas de Portugal durante a administração de Joaquim António de Aguiar, um primeiro-ministro notório pela sua política anti-eclesiástica.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Eunice Muñoz sofre acidente em palco

A actriz Eunice Muñoz, sofreu anteontem um acidente durante os ensaios da peça "O Comboio da Madrugada", de Tennessee Williams, que se preparava para estrear quinta-feira no Teatro Nacional, levando ao adiamento da mesma. A actriz de 83 anos, uma das mais conceituadas do nosso país, terá tido uma queda, partindo os dois pulsos, mas após ter sido conduzida ao hospital, já se encontra de volta a casa.

Recordando a presença desta verdadeira senhora dos palcos, actriz conceituada e considerada unanimemente uma das melhores de todos os tempos em Portugal, tendo participado em incontáveis peças de teatro, mas também em vários filmes e telenovelas, que viu o seu valor reconhecido com a atribuição do Globo de Ouro por Mérito e Excelência em 2008 e também a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, em Novembro de 2011, aquando da comemoração dos seus 70 anos de carreira, vai agora recuperar fisicamente para conseguir prosseguir com o seu trabalho que desde que subiu ao palco em 1941, com a peça "Vendaval", tem sido a sua verdadeira paixão de vida.
Fica aqui um pequeno vídeo com a reportagem do canal de televisão TVI, no "Jornal da Uma", da altura da atribuição de uma das maiores condecorações nacionais, onde é feita uma sucinta descrição da sua carreira, com os votos de rápidas melhoras deste blogue e, obviamente,  de todos os seus fãs!



Estreia da semana

Um pouco a contragosto não vou dar destaque a um dos meus actores preferidos, Johnny Depp, que pela mão do realizador e amigo Tim Burton, lançam esta semana o filme "Sombras Na Escuridão". Isso, porque já o fiz anteriormente, neste post e não me quero repetir.
Por isso, e porque também é um bom filme, destaco antes "Uma traição Fatal", realizado por Steven Soderbergh e com a participação de um excelente casting composto por Ewan McGregor, Antonio Banderas, Michael Douglas, entre outros.
De título original "Haywire", o filme conta-nos a história de uma agente especial norte americana, Mallory (a pouco conhecida actriz Gina Carano), que é enganada pela própria agência para quem trabalha, após um serviço onde liberta um jornalista chinês e decide ir ao fundo da questão, fazendo pagar aqueles que a traíram. Um pouco de "Bourne" no feminino e com a memória intacta, mas que se revela um bom filme de acção e intriga, bem conduzido por Soderbergh, que nos trouxe títulos tais como "Contágio", a trilogia que começou com "Ocean's Eleven" ou "Traffic".
Beleza da protagonista associada a um filme de acção para os fãs do género, que mistura uma trama política que envolve uma agência governamental de serviços secretos, uma receita já utilizada com pequenas variações em muitos outros filmes, mas que Soderbergh nos traz com o seu toque peculiar.