sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Book Review #3 - O Papalagui


O livro "O Papalagui", que significa "o Branco" ou "o Senhor", no dialecto dos Samoanos, com quem o escritor e pregador germânico Erich Scheurmann privou durante algum tempo, descreve a simplicidade e até inocência com que o chefe Tuiavii, da tribo Tiavéa, via o homem branco dito civilizado, no início do Século XX.

Composto pelas conversas de certo modo filosóficas que Scheurmann terá tido durante o tempo em que esteve com a tribo, dá-nos uma imagem do distanciamento que a sociedade moderna tem actualmente (porque ainda que escrito em 1920, torna-se quase intemporal), da Natureza e do mundo que nos rodeia em detrimento da tecnologia e da vida numa sociedade urbano-dependente.
A maneira como nos é descrita a nossa própria existência numa crítica sem maldade que é feita pelo chefe da tribo, faz com que qualquer pessoa que leia este livro sinta humildade e o reconhecimento de que cada vez mais somos incapazes de viver sem objectos tais como telemóveis, computadores ou televisão.
É deliciosa, mas também constrangedora a forma como Tuiavii descreve artigos tão simples tais como o vestuário que usamos ou as habitações elaboradas em que vivemos, passando pela nossa obsessão com o enriquecimento e o stress do dia-a-dia que não nos deixa tempo para viver.
Um excelente livro que aconselho a quem está cansado de viver nas cidades e também a quem tem filhos e lhes quer mostrar a futilidade das playstations ou ipods.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

The Mission no Hard Club

Amanhã, dia 14, no Hard Club no Porto, poderão ver a banda de Wayne Hussey, os britânicos The Mission em concerto.
A mítica banda gótica que fez furor nos anos 80/90 e nos trouxe magníficos álbuns tais como "Gods Own Medicine", "Children" ou "Carved In Sand", desloca-se à Invicta para um concerto na Sala 1 no melhor recinto de espectáculos da cidade, com after-party após a meia-noite, na Sala 2.
Uma magnífica oportunidade para aqueles que ainda apreciam o gótico e querem matar saudades de temas tais como "Severina","Tower of Strength" ou "Beyond the Pale".
Por isso reunam-se os góticos, marchem ao Hard Club e não deixem entrar Emos, que não são bem vindos... Estou a brincar, claro! Venha toda a gente desde que paguem os 23 euros do bilhete e os 3 euros da after-party!
Para quem é triste e nunca ouviu música, deixo aqui o vídeo de apresentação, com o tema "Wasteland":



Em ascensão #3 - This Lonely Crowd

Hoje nas novas bandas em destaque trago-vos os brasileiros This Lonely Crowd. Numa carreira que começou recentemente a banda ainda não foi muito para além das fronteiras das suas raízes Curitibianas, mas graças à Internet é possível ter acesso às suas músicas.


Baseando o seu som numa onda alternative rock, shoegaze, este quinteto constituído por personagens com nicks de histórias infantis de Lewis Carroll (Tweedledum, Tweedledee, Red Queen, Jabberwock e Humpty Dumpty), tem uma sonoridade fantástica que nos transporta para uma viagem hipnótica, qual LSD musical que retiram dos instrumentos. Tendo começado a gravar só em 2010, a banda já tem três EP's e apenas um álbum (Some Kind of Pareidolia), mas pode ser ouvida no seu Myspace em : http://www.myspace.com/thislonelycrowd e as músicas têm todas download gratuito no site da Last FM, em: http://www.lastfm.com.br/music/This+Lonely+Crowd
Aconselho vivamente uma audição destes jovens brasileiros e desejo profundamente que continuem a ser mais conhecidos e ampliar o número de ouvintes, pois merecem.
Fica aqui uma música do 2º EP (EPhemeris), chamada "Laura's coming", para dar uma ideia do som da banda:



P.S.: Se pesquisarem na net, não confundam esta banda com os "A Lonely Crowd", da Austrália...

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Oktoberfest no Porto

Era bom. A Oktoberfest, em Munique é verdadeiramente única! Claro que se não tiver tempo, ou dinheiro para uma viagem à Alemanha, resta-lhe o consolo de participar numa mini-festa realizada aqui mesmo, no Porto. Trata-se de mais uma edição da Festa de Cerveja de Munique, organizada pelo restaurante cervejaria Portobeer, que celebra o seu quinto aniversário.
Entre as 20:00 e a 1:00 da noite de 14 para 15 de Outubro, poderá degustar iguarias bávaras tais como salada de arenque com cebola e natas, ou as típicas salsichas alemãs com mostarda e o famoso bolo Floresta Negra para sobremesa. Isto, sempre acompanhado de litros e litros de cervejas nacionais e internacionais, servidas nas canecas típicas da festividade, ao som de músicas próprias da genuína Oktoberfest
Prepare uns sais para o dia seguinte e vá de transporte público de preferência para não cair na asneira de beber e conduzir! O evento carece de marcação e a entrada é limitada, por isso 'bora lá! Entrada a 27 euros por pessoa e contactos por mail em: portobeer@portopalaciohotel.pt

D'Bandada Optimus Discos - Bandas por todo o lado

Destaco hoje mais uma iniciativa da Optimus para a cidade do Porto. Parece que por este andar, se o Engº Belmiro de Azevedo se candidatar a Presidente da Câmara algum dia, já pode contar com o meu voto!
Trata-se da acção D'Bandada, que consiste em concertos pela cidade do Porto, em locais pouco usuais para estes eventos. Desde a Livraria Lello até ao Plano B, passando por sítios tais como O Armazém do Chá ou   o Café de Ceuta, teremos várias bandas a actuar na cidade. Linda Martini, Noiserv, Dealema, Osso Vaidoso e muitos mais poderão ser vistos (e ouvidos) nos locais designados. O que falta dizer? Os concertos são totalmente gratuitos e serão no próximo dia 15 de Outubro. 
Estão à espera de quê para ir ver 21 projectos musicais espalhados por 13 locais, de borla? E aproveitem para curtir a noite do Porto que está a melhorar seriamente!....

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Cerveja Guinness

Começo hoje a falar de outro artigo gastronómico que intitula este blog e já que tenho aqui algumas críticas a alimentos (em destaque, as francesinhas), vou também dar a minha opinião sobre cervejas.
A primeira escolhida é a cerveja irlandesa Guiness. Foi originalmente criada pela cervejaria de Arthur Guiness, no século XVIII (1759). É uma cerveja estilo Porter ou Stout (cerveja preta), e é uma das marcas mais bem sucedidas no mundo, sendo fabricada em mais de 50 países e disponível em mas de 100.
Tem como característica distintiva o sabor "queimado", que se deve ao uso de cevada torrada não maltada na sua fabricação. De paladar seco e amargo, a Guiness apela àqueles que querem experimentar um tipo de cerveja diferente, longe das receitas Bock ou Lager. A sua composição é água, cevada, lúpulo e levedura. Tem uma característica forma de servir quando em pressão: copo (de design próprio) a 45º de inclinação, servir suavemente quase até ao topo, deixar no balcão a repousar (fase em que o nitrogénio de pressão do barril forma camadas de sedimentação no copo), encher até ao topo com o copo a direito e pronto: temos uma Guiness bem tirada com topo cremoso, como deve ser!
Pessoalmente, acredito que o paladar extremamente amargo da Guiness faça confusão a quem o experimenta pela primeira vez. Está tipicamente enraizada no gosto mais britânico e dificilmente se torna popular nos países da Europa do Sul, com mais calor e que preferem uma cerveja mais fresca. Não é naturalmente aconselhada se forem gulosos e só gostarem de licores e refrigerantes com açúcar... A Guiness, como já me foi descrito, "é uma cerveja que se come" e "pode não se gostar à primeira, mas haverá um dia em que ao querer beber algo diferente, havemos de nos lembrar dela."