domingo, 18 de abril de 2010

The Gossip - Music For Men (2009)

Como se está a aproximar o grande evento que será o Festival Optimus Alive de 2010, com um cartaz invejável, não resisto a postar aqui uma crítica ao álbum de 2009 dos Gossip, Music For Men, que será certamente uma das bandas mais interessantes do festival.
Após uma ascensão fulgurante no mundo musical com o seu álbum de 2006 - Standing In The Way of Control (o terceiro da formação do Arkansas, estado de Bill Clinton), a banda norte-americana da vocalista Beth Ditto, parecia ter encontrado a receita para o sucesso. Mas, como acontece muitas vezes nestes casos, o próximo álbum poderia decidir se a banda teria motivos para continuidade ou se teria que regressar à terra natal com a sensação de que foi bom enquanto durou. Ao ouvirmos este trabalho de 2009, ficamos imediatamente com a sensação de orgulho que "os meninos" já cresceram e amadureceram a sua musicalidade. Os temas são mais trabalhados e a capacidade vocal de Beth Ditto bem explorada dando origem a temas enérgicos e animados. Com a certeza de que vão contribuir positivamente para um grande festival em Julho, deixo aqui o tema "Dimestore Diamond".

Book Review #2: 1984, de George Orwell


Quando em 1949, o autor britânico de origem indiana, Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo pseudónimo de George Orwell, acabado de sair da 2ª Guerra Mundial, escreveu o livro 1984, estava ainda presente na sua mente o perigo do totalitarismo que o regime de Hitler tinha tentado impor na Europa e a crescente expansão da influência comunista que a Rússia começava a "espalhar" pelos países do futuro Pacto de Varsóvia (que viria a ser assinado 6 anos depois).
Assim, Orwell descreve-nos no seu romance o que poderia estar a caminho no então longínquo ano de 1984 (embora até a passagem do tempo seja posta em causa), caso o mundo se viesse a dividir em blocos de influências regidos por regimes absolutistas e totalitaristas com a capacidade de moldar as mentalidades da sua população através de uma vigilância constante e terror causado por perseguições, torturas e o mais completo controle mental. A criação, inclusive, de uma nova língua (Novilíngua) que pretende comprimir e diminuir o lêxico gramatical do inglês, apenas para servir o propósito de limitação mental da população e reduzir as ideias subterfúgicas e os Ministérios governamentais com os seus nomes antónimos que policiam todos os sectores da sociedade oceânica (por exº: Ministério da Paz, que controla a guerra ou Ministério do Amor, que tortura as pessoas).
O livro é narrado pela personagem Winston Smith, que é um insignificante indivíduo que está encarregue da alteração de documentos históricos, com o intuito de manipulação da história sempre em consonância com as indicações do regime que controla a sua facção, a Oceânia (mais abaixo no mapa a rosa).
Neste romance surge-nos o conceito de "Big Brother" (O Grande Irmão) que mantém uma vigilância constante sobre tudo e todos, impedindo inclusive os pensamentos de rebelião contra o regime e levando ao desaparecimento de todos os que não hajam em conformidade. Esse terror de hiper-vigilância persegue-nos até aos dias de hoje pois é comum haver inúmeras teorias de conspiração sobre intrusões na vida privada dos cidadãos através de vigilâncias-satélite ou chips inseridos sob a pele, que colidam com os direitos fundamentais de privacidade. Mas no fundo, tudo o que gerou foi um popular reality show na televisão, que foi um sucesso mundial.
Fica a mensagem geral do livro que ajuda a que as gerações vindouras tenham presente a necessária vigilância contra qualquer tipo de tirania governamental e impeçam que agora e no futuro, valores imprescindíveis tais como a liberdade de expressão, a imprensa livre de influências politico-ideológicas e o direito à revolta e ao protesto, nunca permitam que nos imponham uma sociedade "Orwelliana".

Mapa do mundo em 1984

sábado, 3 de abril de 2010

Crítica DVD: INK

Vou marcar a data de Abril de 2010, para memorizar o momento em que vi o filme que entrou para primeiro lugar no meu top de preferências (para os mais distraídos, está aí à esquerda!). Falo-vos do filme independente de baixo orçamento, de um pequeno estúdio e com actores desconhecidos, INK. Poderá ser a prova provada que o cinema é de facto a 7ª arte, pois o filme de que vos falo é, na minha opinião, equivalente a um David de Michelangelo, ou uma Mona Lisa de Da Vinci.
Vou limitar a minha crítica a alguns pormenores, pois não quero estragar o prazer de verem o filme completamente desprovidos de expectativas. A história fala-nos de 2 grupos distintos que lutam entre si para nos darem sonhos ou pesadelos durante a noite... e mais não digo!
Espero sinceramente que todos vejam este filme de 2009, que passou completamente à parte do circuito comercial. Tem uma trabalho fantástico de Jamin Winans (realizador e argumentista) e uma banda sonora perfeita...
Não vou deixar nenhum trailer, para manter o suspense, mas deixo-vos uma curta-metragem do realizador, que dá para verem a forma original dele pensar e filmar. Fiquem com "Spin" criado em 2006.


sábado, 20 de março de 2010

Predators : Trailer

Se forem como eu, um fã do filme de 1987, Predador, um filme que parecia irrepetível, mas que teve uma sequela pouco brilhante, em 1990 e um encontro ansiado por muitos fãs do sci-fi de terror, entre o Predador e Alien (em 2004 e 2007), então devem estar ansiosos pela estreia do novo Predators.
O filme conta a história de uma equipa de soldados de elite que é raptada e enviada ao planeta dos temidos predadores para serem caçados. Com o intuito de ser um filme em directa sequela ao primeiro, este filme conta com actores tais como Laurence Fishburne, Danny Trejo e Alice Braga. Chegou-se a falar na possibilidade de uma pequena aparição de Schwarznegger, mas o governador recusou. Vamos a ver se o filme, que só estreia em Julho, trará a emoção e suspense do original e fará reviver a tensão de humanos no lugar de presas... Para já fica aqui o trailer para deixar um pouco de água na boca!...


Solomon Kane


Mais uma personagem da BD que passa para o grande ecrã, desta vez um menos conhecido Solomon Kane, que é um anti-herói, pois começa a sua vida como pirata e saqueador mercenário que não hesita um segundo em matar todos aqueles que se interponham no seu desejo de pilhar tesouros alheios e conquistar territórios. Mas esse caminho é interrompido quando o próprio Satanás procura obter a sua alma levando a que Kane tenha que renunciar à sua vida de maldade para se refugiar da perseguição do demo. No entanto, numa Inglaterra medieval onde a peste, a destruição e os bandidos são comuns, levá-lo-ão a não conseguir evitar durante muito tempo fazer aquilo que faz melhor: matar!
Nesta adaptação para o cinema da personagem criada por Robert E. Howard (criador de Conan, o Bárbaro), temos um filme cheio de efeitos especiais e acção, com criaturas zombies e bruxas q.b., num ambiente com cenários de destruição e envoltos numa aura de misticismo, que agradam visualmente. Destaco também o excelente trabalho de caracterização e vestuário das personagens, sem dúvida uma mais valia para o filme.
Não sendo uma película das melhores de sempre (ficando àquem de filmes idênticos tais como Van Helsing ou Hellboy), não deixa de ser um filme interessante que agradará aos fãs do fantástico (teve inclusive a sua ante-estreia no Fantasporto deste ano).
Veremos se tem potencial para uma sequela ou se ficará esquecido num ano de 2010 com estreias tão promissoras!...

domingo, 14 de março de 2010

Book Review #1: Gomorra, de Roberto Saviano

Começando hoje, publicarei aqui de quando em vez uma criticazinha pessoal de literatura, para os amantes de um bom livro...

Gomorra, é um livro de Roberto Saviano, um jovem escritor e jornalista italiano de 28 anos, nascido em Nápoles, onde viveu e trabalhou até que, em Setembro de 2006, o êxito deste livro, que cita nomes e lugares (pois o autor viveu infiltrado na Camorra e hoje tem a cabeça posta a prémio), o obrigou a viver oculto e sob protecção policial permanente. É licenciado em filosofia e membro do grupo de estudos sobre a Camorra e a ilegalidade e colaborador de periódicos tais como L'Espresso e La Repubblica, entre outros.
O livro é uma viagem ao império económico gerado pelo domínio da máfia napolitana. Saviano descreve a forma tentacular como a Camorra (máfia napolitana) consegue exercer o seu domínio no tecido económico e empresarial do Sul da Itália e na Região napolitana e funciona como um Estado paralelo, sendo responsável pelos maiores índices de violência da Europa, chegando ao mundo da alta-costura italiana, ao sofisticado mercado das obras de arte, ao comércio de produtos piratas, ao negócio do lixo e ao tráfico internacional de drogas, com conexões nas principais cidades do mundo, do Leste Europeu aos EUA, da China ao Brasil.
Também bastante interessante, é a influência e admiração que a Camorra tem entre tantos jovens, a forma como eles admiram e imitam as associações camorristas. A forma como são treinados pela própria Camorra para se tornarem verdadeiros mafiosos. Os pequenos delitos, os ensaios de pancada, as provas de coragem, os testes psicológicos e de lealdade.
Também a influência do cinema é abordada, a distinção entre o que é a realidade e o que é Hollywood, como a realidade e a ficção se tocam e influenciam reciprocamente. O vestuário, os gestos, a fala, as formas de matar. No entanto, o autor, reflecte sobre a imagem que o público em geral tem sobre a Mafia, que ainda está toldada por filmes como "O Padrinho" ou "Scarface", sendo que a realidade se assemelha mais a empresas geridas como tal...
O resto do livro prende-se um pouco ás questões relacionadas entre as associações camorristas, as histórias das rivalidades e dos massacres, a polícia e a anti-máfia, as fugas, as prisões, os julgamentos, enfim, as faces da Camorra, mais expostas ao mediatismo.
Um livro interessante, que nos conta histórias reais de uma Itália que, por vezes, parece esquecer que alguns problemas ainda persistem e, em pleno século XXI, continua a ter no seu seio uma poderosa organização que controla tudo. Também saiu o filme baseado no livro, mas foi tão alterado para uma vertente mais "comercial", que é um daqueles casos em que o livro é definitivamente melhor que o filme...